quarta-feira, 18 de julho de 2018

Cnossos,a Cidade Labirinto do Rei Minos

A primeira Civilização Egeia de grande importância floresceu na Ilha de Creta,no Mediterrâneo.Seria Cnossos a Capital deste Império Minóico?O que significaria o touro?Porque razão e quando é que Cnossos chegou ao fim?

Num simples vaso de louça no Museu Arqueológico de Heracleion,em Creta,o Herói Grego Teseu olha fixamente a bela Ariadne.Num outro vaso do Museu do Vaticano ele pega o Minotauro pelos cornos e enterra-lhe a espada no coração.Trata-se de um Mito ou a História de Teseu terá realmente acontecido?Este é um dos inúmeros Mistérios em parte desvendados pelas Ruínas do Palácio do Rei Minos,em Creta.
O visitante que,vindo do mar,se vá aproximando e chegue a uns 4 km de distância terá certamente a mesma visão do Palácio que Teseu experimentou quando seguia pela estrada murada em direcção á entrada Norte.
Para uma nação de Marinheiros e de Comerciantes como a dos Minóicos em 20000 anos a.C,esta entrada flanqueada pelos seus pátios,devia ser segramente a mais importante do Palácio.O nosso olhar é atraído pelo enorme fresco que representa um poderoso touro debatendo-se contra os seus captores no meio de um olival.Por detrás do touro estende-se um verdadeiro Labirinto com 1500 divisões num intrincado padrão de corredores estreitos que teriam confundido qualquer mortal,salvo os moradores do Palácio já familiarizados com ele.
A partir do quinto ou sexto milénio antes de Cristo deve ter existido em Cnossos uma Colónia.Uma série de Palácios magníficos foi construída por volta dos finais do terceiro ou princípios do segundo milénio antes de Cristo.Todos eles foram destruídos por Terramotos e todos voltaram a ser reconstruidos nas Ruínas anteriores.Mas entre 1400 a 1250 a.C.uma devastadora erupção Vulcânica na Ilha de Santorini arrasou completamente a Cidade e o Palácio e dizimou a totalidade dos seus habitantes.

Só em 1878 os trabalhos do Arqueólogo Grego Minos Kalokairinos(Minos???Coincidência...?) e as subsequentes do Inglês Sir Arthur Evans revelaram uma vez mais a grandiosidade do Palácio de Minos.O Cnossos que eles descobriram evoca uma invejável forma de vida,na qual trabalho e beleza atingiram uma harmonia notável.
Das Canaliações do Palácio à Via Processional

O nível de uma Civilização pode, talvez,medir-se pelas canalizações das suas Cidades.As dos Minóicos,especialmente entre o ano de 1700 e a catástrofe final,superaram todas as expectativas.Poucas das inúmeras maravilhas de Cnossos serão capazes de provocar tanto impacto como as 3 canalizações de barro tão bem colocadas hoje nas suas caixas de visita,como o estavam há 4000 anos atrás.Os canos foram cuidadosamente apertados de modo a diminuir o fluxo da água e,tal como as valetas e as sarjetas para depósitos dos sedimentos á beira dos caminhos empedrados,constituem um dos muitos exemplos da perícia dos Minóicos no âmbito da hidrodinâmica.
O acesso ao Palácio de Cnossos pela entrada”Comercial” de Oeste conduz a 3 cavidades muradas.Era aqui,que depois das Cerimonias Religiosas,se devolviam á terra de onde tinham brotado o sangue dos animais sacrificados e o mel,vinho,azeite e leite das libações.
Pouco de conhece dos aposentos da Guarda Militar,ali próximo,cujas funções devem ter sido mais administrativas do que militares.Na verdade e um dado comum a todos os Palácios Minóicos,existirem poucas armas entre os inúmeros artefactos encontrados,e mesmo essas possuírem uma função principalmente Cerimonial.Os próprios Palácios não são fortificados,podendo-se concluir que os Minóicos viviam em paz com os vizinhos.
Os aposentos da Guarda marcam a entrada da Via Processional que termina num amplo lanço de escadas que conduzem ao andar onde se situa o pátio.Um dos espantosos frescos em tamanho natural que nos mostram tanto do passado dos Minóicos chama sobre si toda a atenção.Um cortejo de Sacerdotes e Sacerdotizas,segurando uns frascos e vertendo líquidos de oferendas ás suas Divindades,caminham com natural dignidade.
Os Acrobatas Saltadores de Touros

Passados os celeiros de pedra,encontra-se uma sala onde foram encontrados vivos e dramáticos frescos Minóicos.O mais famoso e pungente mostra como que numa reconstrução fotográfica,a graça e a audácia dos acroatas saltadores de touros,numa espécie de festejo que é simultaneamente desportivo e ritual.Logo que o touro avança cada um dos acrobatas-são de ambos os sexos-“pega-o” pelos cornos,salta para o dorso do animal,dá seguidamente uma cambalhota e volta a saltar agilmente para chão.Uma simples escorregadela…e era a morte do artista.
Á medida que os acrobatas”pegavam” o touro um imediatamente após o outro numa rapidissíma sucessão provocavam,nos espectadores,uma certa dificuldade de distinguirem,a certa altura,onde terminava o animal e começava o homem e vice-versa.O resultado desta indefinição é fácil de comprovar pela imagem do Minotauro,meio touro meio homem.Não se sabe se estes espectáculos tauromáticos eram realmente no grande pátio,mas o certo é que ele era realmente o ponto central da vida do palácio.O rígido simbolismo das casas de consagração,que dominavam o pátio com toda a simplicidade de uma escultura moderna,leva-nos a pensar que ele era mais do que um mero ponto de encontro da vida do Palácio.
O Pátio da Rainha

Tal como Arthur Evans o concebeu,devia realmente conter em si todas as formas de conforto conhecidas dos Minóicos;águas correntes,sistemas de esgotos sofisticados,”sanitas”de madeira.Frescos alegres e coloridos ornamentam as paredes em espirais simbólicas e simpáticos golfinhos-o golfinho era o emblema Minóico que simbolizava a Alegria de Viver.A Ala da Rainha é ainda mais labiríntica do que o resto do Palácio;só para entrar e sair da casa de banho existem 5 caminhos!!!

O Coração do Palácio

Acima do piso do pátio a Ala Leste do Palácio era talhada nas montanhas.Numa extremidade ficavam os aposentos reais,enquanto que na outra se situavam as oficinas dos carpinteiros,oleiros,pedreiros e joalheiros responsáveis pelos luxos e conforto evidentes nos próprios aposentos.
O acesso aos apartamentos reais fazia-se pela chamada Grande Escadaria,não tendo grandeza nem dimensão em si,possuía inegável grandiosidade quanto á sofisticação e arte.Os pilares pretos e vermelhos,mais estreitos próximo da base,rodeavam uma clarabóia que não se iluminava os aposentos inferiores como constituía uma espécie de sistema de”ar condicionado”natural para todo o palácio.As portas do Pátio do Rei abriam-se e fechavam-se de modo a regular a”entrada”de ar fresco e aromatizado com tomilho selvagem e lmão,provindo de uma colunata exterior;o ar quente subia pela escada.No Inverno as portas podiam fechar-se,ao mesmo tempo que eram instaladas lareiras portáteis para aquecer o ambiente.
O centro do poder era a Sala do Trono,onde o Rei Minos reunia a corte.À entrada desta sala existe uma bacia de pórfiro ali colocada por Arthur Evans,que achava que ela seria utilizada em rituais de purificação,antes de se entrar na sala mais anterior do Palácio.Tais preocupações resumem o Palácio de Cnossos que podemos ver hoje;uma extraordinária reconstrução do Palácio do Rei de Minos exactamente como era em 1600 a.C,e tal como foi vizualizada por um Arqueólogo Inglês cuja única intenção foi a de captar no tempo a Idade de Ouro do Império Minóico.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

D.João II,O Principe Perfeito

D.JoãoII;

Filho de D. Afonso V,subiu ao trono em 1481,sendo certo que exercia já há alguns anos o poder de facto,pois,as frequentes ausências do Reino,por parte de D. Afonso V,põem-lhe nas mãos o governo do País.
Quando,em 1481,D. João II sobe ao trono,os Descobrimentos e a expansão iniciara-se cerca de sessenta anos antes por iniciativa de seu tio-avô,o infante D. Henrique.
Apesar de ter sido muitas vezes dito que a tentativa da descoberta de um caminho marítimo para a Índia fazia parte dos projectos do infante D. Henrique,tudo indica que o “Plano da Índia”é concebido por D. João II quando,ainda Príncipe,passa a ter a responsabilidade pela orientação práctica das Navegações.É dele que parte a iniciativa de reconhecer as condições físicas do Atlântico Sul,de que encarrega Duarte Pacheco Pereira,e a decisão de prosseguir cada vez mais para Sul as viagens ao longo da costa africana.São também decisão sua as duas viagens de Diogo Cão,que na segunda atinge como ponto mais meridional a serra da Parda;a viagem de Bartolomeu Dias,que leva,em 1488,navios Portugueses pela primeira vez ao Índico;e, também, a missão desempenhada por Pêro da Covilhã que,no Indostão,no Golfo Pérsico e na costa oriental de África,permite recolher preciosas informações de carácter económico.
Mas pode parecer estranho que,sabendo,já no início de 1489,da intercomunicabilidade entre os oceanos Atlântico e Índico,por informações colhidas em Geógrafos Arabes,não tenha decidido mandar nos anos que ainda viveu,uma armada para o comprovar.Há quem acredite ter havido entre a viagem de Bartolomeu Dias e a de Vasco da Gama Armadas “Secretas”.Porém,carecendo essas Teorias de prova Histórica,é mais aceitável supor que,para concretização do seu plano da Índia, faltava uma peça essencial:a garantia de que o Oceano Atlântico era mar “Português”. E só o Tratado de Tordesilhas,em 1494,o garante.
D. Manuel virá a colher os frutos e a glória do descobrimento do caminho marítimo para a Índia que o Príncipe Perfeito tão laboriosa e inteligentemente preparou.

D. João II,Consolidação do Poder Real;

Constrói assim os alicerces de um estado moderno e na ordem externa lança as bases de uma empresa colonial cujos frutos virão a ser colhidos nos reinados seguintes. Porém,o sonho da união dos Reinos Peninsulares sob uma mesma Coroa,acalentado por seu pai,não o abandona completamente.Sabe que,com propósitos semelhantes de hegemonia Peninsular,aos Reis de Castela e de Aragão agrada a ideia de casar a sua herdeira,a Infanta Isabel,com o Infante D. Afonso de Portugal.D. João II desenvolve uma estratégia conducente à realização desse casamento,que virá a verificar-se,por entre festejos faustosos,em Novembro de 1490.
Mas pouco tempo irá,no entanto,durar o sonho...Em Julho de 1491 o Príncipe D. Afonso morre de uma queda de cavalo,à beira-rio,perto do Paço de Almeirim.Todo o projecto se desfaz...Dominado por uma profunda dor,D. João II ainda tenta legitimar em Roma D. Jorge,um filho Bastardo,como seu sucessor.Mas a oposição da Rainha e as influências dos seus inimigos prevalecem.
D. Manuel,Duque de Beja,Irmão do Duque de Viseu que o Rei assassinara por suas mãos,Sobrinho-neto de D. Afonso V,está agora na primeira linha da sucessão.

Descobrimento ou Conhecimento Secreto do Brasil...Política de Sigilo?

O certo é que D. João II impõe um alargamento da área exclusiva do Atlântico:em vez das 100 léguas a oeste de Cabo Verde,que tinham sido propostas como fronteira marítima entre Portugal e Castela,ele exige 370 léguas,abrangendo assim parte da América do Sul.Duarte Pacheco Pereira e Garcia de Resende aludem,de facto a esta táctica de protecção aos avanços Náuticos e aos planos de Expansão.Por outro lado, o facto de D. João II se ter recusado a apoiar a empresa de Colombo,destinada a descobrir Terras que iriam cair na posse da Coroa de Castela,parece também apoiar a tese do Conhecimento sigiloso.Na realidade,os resultados obtidos demonstram a inequívoca existência de um plano que privilegia o domínio das Navegações na Costa de África e o Descobrimento de uma rota para o Oriente.
O Tratado de Tordesilhas,de 1494,realizado já depois da viagem de Colombo,em 1492-93,assegura uma vasta parcela do Atlântico como zona exclusiva da Coroa e confirma também a posição de Portugal na sua rota para a Índia.Estabelecida a figura jurídica que se conhece por “Mare Clausum”,fica consagrado o direito de as duas grandes potências da época condicionar o direito à Navegação por parte de terceiros, nomeadamente dos Ingleses,o que não lhes agrada nada.O Mundo não terá sido dividido em duas partes,uma para Portugal,outra para Castela,como afirma a imagem popular, mas o Tratado de Tordesilhas,prodígio da política externa de D. João II,atribui a Portugal um Poder que nunca fora atingido antes por qualquer potência.Tordesilhas é um monumento à astúcia e à visão de futuro do Príncipe Perfeito.
Todavia,internamente,os ódios da Nobreza espoliada são uma fogueira inextinguível.O cognome atribuído ao Rei por estes é o de "O Tirano".Logo a seguir às bodas do Príncipe,no Paço de Évora,começa a manifestar-se uma estranha enfermidade no Rei. Começam por ser apenas “Acidentes e Desmaios”,mas,por meados de 1495,a doença começa a agravar-se e o seu esbelto aspecto físico vai-se convertendo num corpo balofo e disforme.São quatro anos de luta entre a doença e a vontade férrea do Rei.Suspeita-se,de envenenamento.Diz Rui de Pina;

“Depois do falecimento do Príncipe,El-Rei,ou pela sobeja tristeza e mortal dor que nele padeceu(como é mais de crer),ou por peçonha que lhe deram,como alguns sem certidão suspeitaram,nunca foi em disposição de perfeita saúde.”

Ao pôr do Sol de 25 de Outubro de 1495,com quarenta anos de idade,morre no Alvor D. João II,o Príncipe Perfeito,como ficou para a História."O Tirano",como o considerava a Nobreza,cujos poderes despóticos esmagou também com despotismo.Ou,mais simplesmente,” El Hombre”,como o designou Isabel,a Católica(pois que esta o admirava muito,como pessoa e por sua astucia e Inteligência) . Quando lhe trouxeram a notícia da morte do seu primo,terá dito,num misto de tristeza e admiração;

“- Morreu o Homem!”

D. Manuel,Duque de Beja,que D. João II após ter-lhe morto o Irmão,sempre protegera, sobe ao Trono.Logo em 1496,a Casa de Bragança é restaurada.Os Nobres refugiados no Estrangeiro começam retornar a Portugal.Porém,sob este aparente apagamento das medidas tomadas pelo Príncipe Perfeito,emerge triunfante o valor da sua obra - pouco depois as Armadas Portuguesas atingem a Índia,espalham-se pelo Oriente, encontram o Brasil... Portugal irá viver as décadas de ouro da sua Gloriosa História.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O Mistério do Farol da Ilha Flannan

Nos mares do Reino Unido existe um conjunto de Ilhas,chamadas Ilhas Flannan,onde se localiza um farol.A luz do farol costumava piscar duas vezes a cada 30 segundos.Em dias de bom tempo,era possível avistá-la a 20 milhas de distância,embora o Arquipélago,localizado na Escócia,fosse quase sempre encoberto pela neblina.Uma equipa formada por três homens guardava,por turnos,esse farol de 23 metros de altura,e que mudava a cada duas semanas.
A ilha é minúscula e está no meio do oceano,não há terra nas proximidades nem onde sequer se esconder,além disso,o acesso à ilha é dificílimo em função das rochas e encostas pontiagudas.
No dia 7 Dezembro,1900,James Ducat,o zelador do farol chegou à ilha para recomeçar o seu trabalho.Seu primeiro assistente,William Ross,tinha pasado mal e um homem local, Donald Macarthur,assumiu o seu lugar.Macarthur era um zelador ocasional,que trabalhava lá apenas quando os membros normais do grupo tinham algum problema. Thomas Marshall,o segundo assistente completava o trio.
No barco que os levava para a ilha,estava também Robert Muirhead,o superintendente dos faróis.As inspeções rotineiras eram uma parte do seu cargo e Muirhead gostava de manter um controle rígido dos homens sob a sua supervisão.Assim,o superintendente ficou algum tempo no farol,verificando que tudo estava na mais perfeita ordem.Teve uma discussão breve com o zelador principal a respeito das melhorias na monitoração do farol e encerrou o relatório de campo.Cumprimentou cada homem e partiu,sendo a última pessoa que os viu.
Durante a semana seguinte,como era normal,o farol foi mantido sob a observação periódica da terra,com um telescópio,em intervalos regulares.Em caso da emergência,os zeladores do farol poderiam içar uma bandeira própria e o auxílio seria,imediatamente,enviado.
Durante os dias que se seguiram,o farol foi obscurecido frequentemente pela névoa(Era este o problema que o superintendente e Muirhead tentaram resolver na última visita ao farol no dia 7 Dezembro).
Durante as duas semanas,uma névoa pesada envolveu o farol.O farol não seria visível da base da marinha na costa,até o dia 29 Dezembro.Em geral quando acontecia isso era mais fácil ver de noite,devido á luz brilhante do farol.A lâmpada estava visível no dia 7 Dezembro,mas foi obscurecida pelo mau tempo nas seguintes quatro noites.Ela foi vista outra vez no dia 12 Dezembro,após esse dia,não se viu mais nada.No dia 15 Dezembro,o navio "S.S Archtor" estava na vizinhança do farol.Perto da meia-noite,o capitão Holman olhou para fora da plataforma do steamer,esperando ver alguma luz do farol,da ilha de Flannan,como era usual.Holman estava próximo,o bastante,do farol e dispunha de tempo para certificar-se de vê-lo.Mas nenhuma luz era visível.
A embarcação de auxílio de Breasclete não conseguiu chegar ao farol no dia 21 Dezembro.O mau tempo impediu que o navio se aproximasse dos penhascos de rocha e as ondas e o vento estavam muito fortes.Isso impediu a chegada da equipe de resgate ao farol até cinco dias depois.
Como era de praxe protocolar,o grupo de funcionários do farol deveria recepcionar o navio num pequeno bote para ajudar aos homens que os substituiriam.Uma bandeira era erguida para mostrar ao grupo do encarregado que os homens do farol davam as boas-vindas aos seus substitutos.Mas,naquele dia não havia homens,bote,e muito menos a bandeira.O capitão Harvie,no barco "Hesperus",deu ordens para soar a sirene,como aviso de aproximação.Não houve resposta.
Decidiram,então,entrar na ilha para ver o que se passava.Mas foi muito difícil o trabalho deles,pois era uma área de maré agitada.Os homens escalaram uma parte da rocha até chegar à corda que era usada para auxiliar na subida pela encosta da ilha. Com esforço chegaram ao farol.
A porta exterior do farol estava trancada,por sorte,Moore tinha consigo uma cópia do jogo de chaves.O lugar estava deserto,não havia nenhum sinal de Ducat,de Marshall ou de Macarthur,o relógio na parede interna tinha parado,não havia nenhum fogo na lareira e todas as camas estavam vazias e arrumadas.Uma refeição tinha sido preparada,e estava sob a mesa intacta.Moore apressou-se e correu retornando até a área de desembarque.Ofegante,explicou a McCormack que o grupo havia desaparecido como por artes mágicas.O segundo ajudante reuniu-se a eles em terra e juntos montaram uma busca completa á ilha.Nem sinal dos homens...tinham desaparecido.
Moore e McCormack voltaram ao barco e deu ao capitão Harvie a má notícia.Este instruiu o terceiro assistente a retornar ao farol com os outros três,para que retomassem a manutenção provisória do farol,antes que acontecesse alguma tragédia,no mar.
Enquanto isso,o"Hesperus"retornaria a Breasclete para informar as autoridades do ocorrido.
Um telegrama foi emitido por Harvie à secretaria dos comissários,mais tarde,nesse mesmo dia,informando o desaparecimento dos funcionários.Na ilha Flannan,Joseph Moore e os seus parceiros fizeram uma busca ainda mais rigorosa pelo farol e um retrato dos eventos começou logo a emergir.Ao que puderam observar,tudo correu bem no farol até a tarde de 15 de Dezembro.O diário de bordo do faroleiro foi fundamental para a investigação e estava intacto,com dados detalhadas dos procedimentos e relatórios de cada dia até o dia 13.O chefe da zeladoria do farol havia também esboçado parte do relatório dos dias 14 e 15 numa folha solta.Pelos registros,houve uma tempestade no dia 14,mas que na manhã seguinte tivera uma acalmia.Não havia nenhuma indicação de nenhum problema adicional.Se esta notificação trouxe algum conforto para as famílias é desconhecido,pois nenhum corpo foi encontrado,e o estranho desaparecimento de Thomas Marshal,James Ducat(que deixou uma viúva e quatro filhos)e Donald Macarthur(que deixou uma viúva e dois filhos)ficou para sempre,por explicar.
Teorias de monstros marinhos,ondas gigantes,abdução,loucura e suicídio colectivo,foram das hipóteses mais comentadas.
O desaparecimento é conhecido como uma Lenda Urbana,até hoje.
Sobrenatural ou não,a verdade é que em Dezembro de 1900,três homens entraram no farol,jamais saíram,e nunca mais foram vistos.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A Rainha/Faraó Maatkare Hatshepsut

Hatshepsut nasceu em Tebas e era a filha mais velha de Tutmés I(Tutmósis I) e da rainha Ahmose, o primeiro rei e rainha do clã Thutmosid da 18 ª Dinastia. Tutmés I e Ahmose são conhecidos por ter tido apenas uma outra criança, uma filha Akhbetneferu (Neferubity), que morreu na infância. Tutmés I também se casou com Mutnofret, possivelmente uma filha de Ahmose I, e produziu vários meio-irmãos de Hatshepsut;Wadjmose, Amenose, Tutmés II, e possivelmente Ramose, através dessa união.
Ambos Wadjmose e Amenose estavam preparados para suceder ao seu pai, mas não viveram para além da adolescência. Na infância, Hatshepsut foi favorecida pelo Templo de Karnak, contra os seus dois irmãos e pelo seu pai.
Hatshepsut, aparentemente, tinha uma estreita relação com os seus pais e, posteriormente, produziu uma propaganda em que o seu pai Tutmés I supostamente a nomeou como sua herdeira directa .Hatshepsut vestia como um homem e usava uma barba falsa para provar que ela poderia ser Faraó e governar o Egipto no seu pleno direito.
Hatshepsut foi casada com o seu meio-irmão, Tutmés II(seguindo um costume que existia no Antigo Egito que consistia em membros da família real casarem entre si),com quem ela reinou por cerca de 14 anos,. Percebendo a natureza ambiciosa da sua irmã-esposa, Tutmés II, declarou o filho,com Isis,do seu harém,para ser seu herdeiro, mas quando o jovem Tutmés III subiu ao trono, Hatshepsut tornou-se regente e prontamente usurpou a sua posição como governante.
Assim,no ano 7, Hatchepsut deixa de ser rainha, assume os cinco nomes que estavam reservados aos faraós. Para legitimar a sua posição, Hatchepsut, junto com os membros do clero de Amon, recorreu a um relato que fazia de si filha do deus Amon-Rá (teogamia).

"Bem-vindo minha querida filha,minha favorita, rei do Alto e Baixo Egipto, Maatkare, Hatshepsut. Tu és o Rei, tomando posse das Duas Terras..."

Nas paredes do templo funerário de Hatchepsut, em Deir el-Bahari, está representado o episódio que relata a concepção e nascimento da rainha-faraó.
Apesar de não concordarem, os sacerdotes foram obrigados a legitimar a história, pois viviam bem e com muitas mordomias, principalmente por causa das doações que a rainha fazia a eles. Acreditaram que se o Deus Amon não ficasse satisfeito com as decisões da rainha, o Egito sofreria com pragas e colheitas ruins, e então eles poderiam agir. Mas parece que Amon-Rá estava de acordo com as idéias de Hatshepsut, pois ela governou em um período de muita prosperidade e tranquilidade.
Vestia-se como um rei, mesmo usando uma barba falsa e os egípcios parecem ter aceite este comportamento inédito.
Após sua morte, aos 37 anos e com 22 anos de reinado, Tutmés III subiu ao trono do Egipto. Hatchepsut foi enterrada na tumba KV20.

A Descoberta da Rainha/Faraó;

Tendo em conta que o nome de Hatchepsut foi suprimido das principais listas de reis do Antigo Egipto, desconheceu-se durante muito tempo a existência de Hatchepsut. Em meados do século XIX, quando a Egiptologia se estruturou como campo do saber, iniciou-se a redescoberta da rainha-faraó. Em 1922-1923 o egiptólogo Herbert Winlock, que realizava escavações em Deir el-Bahari na área pertencente ao rei Mentuhotep II, encontraria uma série de estátuas de Hatchepsut. Uma parte destas estátuas estão hoje no Museu Egípcio do Cairo e no Metropolitan Museum of Art. Recentemente a múmia de Hatchepsut foi localizada através de uma pesquisa que contava com testes de DNA, tomografia computadorizada, entre outras 2 múmias, e um grande mistério que envolvia sua morte. Através de um dente molar, encontrado em uma caixa mortuária de madeira e com seu nome entalhado, que também continha seu fígado mumificado, foi possível afirmar que uma das múmias em questão era a de Hatchepsut. Cientistas descobriram também que sua morte foi devido a uma infecção na gengiva.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os Samaritanos

Quase toda a gente já ouviu falar dos Samaritanos(nem que seja do “Bom Samaritano”). Quando Salomão morreu,o seu Reino dividiu-se entre o Reino do Sul,Judá,e outro a Norte,Israel.O reino do norte farto do que poderíamos chamar o centralismo de Judá e da sua Capital Jerusalém,recusava reconhecer esta cidade como;Cidade Santa. Os Assírios entretanto invadiram este território e destruíram o Reino e deportaram uma grande parte dos habitantes.Alguns Assírios estabeleceram-se aí,mas segundo os Samaritanos seriam poucos e prontamente assimilados,sem contributos culturais ou religiosos;em compensação os Judeus diziam que os Samaritanos eram descendentes desses mesmo colonos,uma nova população com outros Deuses que misturando-se acabariam por criar um Povo mestiço e Religião sincrética.De qualquer maneira,os Samaritanos tinham o seu Templo,rival de Jerusalém,no monte Guerezim.
Nos séculos seguintes,foram perseguidos pelos Judeus,mal tolerados pelos Romanos, quase exterminados pelos Bizantinos,conseguiram sobreviver até ao século XX, reduzidos a menos de um milhar.
Não são considerados verdadeiros Judeus pelos grupos de Judeus mais Ortodoxos(e eles devolvem o "agradável"cumprimento,considerando que eles é que são os verdadeiros seguidores da antiga Religião).Mas para um leigo, são indistinguíveis,pois ambos circuncidam-se,reverenciam a Torá,têm os mesmo mandamentos,e a maioria das Crenças são as mesmas.
No entanto,mantêm um Sacerdócio hereditário(descendentes dos antigos Sacerdotes do Velho Testamento),recusam todos os outros livros Sagrados dos Judeus(como o Talmud),ainda praticam os sacrifícios de animais,acabam por ser bastante Arcaicos(o Judaísmo é praticamente resultado das transformações dos Rabinos depois da destruição do segundo Templo de Jerusalém).

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Povos Ibericos;O Cónios

Os Cónios (em Francês;Occitano,em Piemontês;Coni,em Italiano;Cuneo,e em Latim;Conii) eram os habitantes das actuais regiões do Algarve e Baixo Alentejo, no Sul de Portugal, em data anterior ao séc. VIII a.C., até serem integrados na Província Romana da Lusitânia. Inicialmente foram aliados dos Romanos quando estes últimos pretendiam dominar a Península Ibérica.

A origem étnica dos Cónios permanece uma incógnita. Para os defensores das teorias linguísticas actualmente aceites; a origem comum na Anatólia ou no Cáucaso das línguas Europeias e Indianas; ou seja, línguas Indo-Europeias, os Cónios teriam uma origem Celta, proto-Celta, ou pré-Céltica Ibérica.

Antes do sec. VIII a.C., a zona de influência Cónia, segundo estudo de caracterização Paleoetnológico da região, abrangeria muito para além do Sul de Portugal. Com efeito, o referido estudo baseando-se em textos da antiguidade Grego-Romana bem como na toponimia de Coimbra del Barranco, em Murcia, Espanha, e de Conímbriga, propõe que os Cónios ocuparam uma região desde o Centro de Portugal até ao Algarve e todo o Sul de Espanha até Murcia. Em abono desta tese podemos acrescentar o Alto de Conio, e o pico de Conio no Municipio de Ronda, na região autónoma da Andaluzia.
Segundo Schulten, que considera os Cónios uma das Tribos Ligures e afirmou que;

"Os Ligures são o povo original da Peninsula"

Os Cónios também teriam marcado presença, não só em Portugal como em Espanha e na Europa, onde os Ligures se fixaram. Confirmando esta teoria temos os seguintes topónimos; No norte de Espanha, encontramos o desfiladeiro, Puerto de Conio e o alto de Conio na região autónoma das Astúrias, onde terão habitado a Tribo dos Coniscos, descendentes dos construtores do Dolmen de Pradías, de época Neolítica, para muitos relacionada com os Cónios. Nesta região terá existido uma Cidade, actualmente desconhecida, incluída num dos Caminhos de Santiago; Asseconia. Também, estudos genéticos indicam que os Bascos são o Povo mais antigo da Península e poderão estar relacionados com os Cónios através da tribo dos Vascones.
Na França , os Ligures também terão sido "empurrados" para as regiões montanhosas. Mas, em vez da Ronda Espanhola ocuparam a região do Ródano-Alpes. O testemunho da presença Ligure poderá ser a tribo Iconii, conhecidos pelas Tribos vizinhas como os Oingt, originando a localidade de Oingt (Iconium em Latim) e a região de Oisans.
No Norte de Itália, junto ao Ródano Italiano a marca da presença Ligure dos Cónios, para além da Ligúria também nos aparece, um pouco mais a Norte, não só nas comunas Coniolo e Cónio, como na Provincia com o mesmo nome, na Província de Cónio, da região de Piemonte. Para outros Investigadores que terão ido mais longe, os Povos “Ibéricos” além de possuírem a Península Ibérica, França, Itália e as Ilhas Britânicas, penetraram na Península dos Balcãs, e ocuparam uma parte de África, Córsega e Norte da Sardenha. Actualmente, e à luz de recentes estudos genéticos, aceita-se que uma Raça com características razoavelmente uniformes ocupou o Sul de França (ou pelo menos a Aquitânia), toda a Península Ibérica e uma parte de África do Norte e da Córsega. Os topónimos a seguir enumerados também atestam estes dados; Nas Ilhas Britânicas o assentamento fortificado Romano Viroconium,é atribuido á Tribo Cornovii, proveniente da Cornualha. Provavelmente, utilizados pelos Romanos como Tribo tampão contra os ataques Escoceses e incursões Irlandesas.


Image and video hosting by TinyPic
Muitos autores concordam que a Lingua Cónia teria um substrato muito antigo relacionado com Osco, Latim e Ilirico. No Chipre encontramos uma Localidade com o topónimo Konia Nos Balcãs encontramos a Tribo dos Trácios Cicones que poderão estar relacionados com os Cónios e com os Povos que invadiram a Anatólia, no sec. XII a. C. e posteriormente fundaram as Cidades de Conni, na Frígia e de Iconium, na Anatólia.

No Baixo Alentejo e Algarve foram descobertos vários vestígios Arqueológicos que testemunham a existência de uma Civilização detentora de escrita, adoptada antes da chegada dos Fenícios, e que se teria desenvolvido entre o século VIII e o V a.C. A escrita que está presente nas lápides Sepulcrais desta Civilização e nas moedas de Salatia (Alcácer do Sal) e é datável na Primeira Idade do Ferro, surgindo no Sul de Portugal e estendendo-se até à zona de fronteira. As Estelas mais Antigas recuam até ao século VII a.C. e as mais recentes pertencem ao século IV. O período áureo desta Civilização coincidiu com o florescimento do Reino de Tartessos, algo a que não deverá ser alheio a intensa relação comercial e cultural existente entre os dois Povos e que também teve uma escrita, que ao contrário do que sucede com a dos Cónios, é hoje conhecida nas suas linhas gerais.
Não é consensual a designação da primeira escrita na Peninsula Ibérica. Para muitos Historiadores é a escrita do Sudoeste (SO) ou Sud-Lusitana. Já os Linguístas, utilizam as designações de escrita Tartessica ou Turdetana. Outros concordam com a designação de escrita Cónia, por não estar limitada geograficamente, mas relacionada com o Povo e a Cultura que criou essa escrita. E, segundo Leite de Vascocelos com os nomes Konii e Konni , que aparecem inscritos em várias Estelas. A posição destes Estudiosos deve-se á concordância das teorias-hipoteses Históricas e modelos linguísticos actualmente aceites nos meios Cientificos. Estas posições baseiam-se em evidências Linguísticas. Só que até á data não foram encontrados dados Arqueologicos evidentes, daí que certos Investigadores duvidem da existência dos Cónios,tal como outros negam a existência de Celtas na Península.
A Cidade Principal, Conistorgis ficaria a Norte de Ossonoba (actual Cidade de Faro). Conistorgis, que em Língua Cónia, significaria "Cidade Real"(de acordo com Estrabão, que considerava a Região como Celta),foi destruída pelos Lusitanos em represália, por estes terem-se aliado aos Romanos durante a Conquista Romana da Península Ibérica. A localização exacta desta Cidade ainda não foi Descoberta.

Aparentemente, antes da chegada dos Romanos, os Cónios eram Monoteístas. O Deus dos Cónios era Elohim, segundo uma Estela que se encontra presentemente no Museu de Évora. O Sudoeste na Idade do Ferro, desde o séc. VI a.C., apresenta um complexo de influências Religiosas Tartéssicas(bastante Helenizadas) e Célticas ou pré-Celticas, correspondente a uma zona de grandes interacções Culturais e movimentos de Populações.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Misteriosa Civilização Nok

A Civilização Nok floresceu durante o primeiro Milenio aC, antes de desaparecer no século II dC. Nomeada pela área da Nigéria onde foram descobertos vestígios da sua cultura, pela primeira vez. Algumas teorias postulam que a exploração excessiva dos recursos naturais desempenhou um papel importante no declínio desta População. Seja qual for o motivo, os Cientistas acreditam que esta Civilização desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento de outras Culturas na região, como os Povos Yoruba e Benín.
A Estatuetas de Terracota

Os exemplos mais conhecidos de natureza Artística são figuras de terracota encontrados em toda a zona.
Estas Estatuetas foram descobertas em Nok em 1929,quando acidentalmente foram desenterradas por Mineiros de Estanho. Depois de vários testes de laboratório, as figuras foram datadas,por 500 aC pelos Arqueólogos.

Tiveram um Sistema Social Avançado

O Povo Nok tinha um Sistema Social organizado, uma economia bem ordenada e uma forma funcional de Governo que promovia a Paz, a Igualdade e a Justiça na Sociedade. Isso reflecte claramente uma Sociedade estruturada antes do surgimento da Modernidade e da Tecnologia.
Pensa-se também que eles foram os primeiros Africanos a fundir Ferro embora acredita-se que talvez este fosse apresentado a eles pelos Cartagineses. A razão para isso é que não encontram nenhuma evidência sobre a fundição de Cobre, que foi um precursor para a etapa da fundição de Ferro na maior parte das outras Civilizações.
Embora acredite-se que eles foram uma das primeiras Civilizações da África, as evidências da sua existência  tardou a virá tona devido a que  a Nigéria, é um país onde não é possivel ter condições para uma investigação mais aprofundada desta Misteriosa Cultura.