sábado, 30 de outubro de 2010

Cnossos,a Cidade Labirinto

A primeira civilização egeia de grande importância floresceu na ilha de Creta,no Mediterrâneo.Seria Cnossos a Capital deste Império Minóico?O que significaria o touro?Porque razão e quando é que Cnossos chegou ao fim?

Num simples vaso de louça no Museu Arqueológico de Heracleion,em Creta,o herói grego Teseu olha fixamente a bela Ariadne.Num outro vaso do Museu do Vaticano ele pega o Minotauro pelos cornos e enterra-lhe a espada no coração.Trata-se de um mito ou a história de Teseu terá realmente acontecido?Este é um dos inúmeros mistérios em parte desvendados pelas ruínas do Palácio de Minos em Creta.
O visitante que,vindo do mar,se vá aproximando e chegue a uns 4 km de distância terá certamente a mesma visão do palácio que Teseu experimentou quando seguia pela estrada murada em direcção á entrada Norte.
Para uma nação de marinheiros e de comerciantes como a dos Minóicos em 20000 anos a.C,esta entrada flanqueada pelos seus pátios,devia ser segramente a mais importante do palácio.O nosso olhar é atraído peo enorme fresco que representa um poderoso touro debatendo-se contra os seus captores no meio de um olival.Por detrás do touro estende-se um verdadeiro labirinto com 1500 divisões num intrincado padrão de corredores estreitos que teriam confundido qualquer mortal,salvo os moradores do palácio já familiarizados com ele.
A partir do quinto ou sexto milénio antes de Cristo deve ter existido em Cnossos uma colónia.Uma série de palácios magnifícos foi construída por volta dos finais do terceiro ou princípios do segundo milénio antes de Cristo.Todos eles forma destruídos por terramotos e todos voltaram a ser reconstruídos nas ruínas anteriores.Mas entre 1400 a 1250 a.C.uma desvastadora erupção vulcânica na ilha de Santorini arrasou completamente a cidade e o palácio e dizimou a totalidade dos seus habitantes.
Só em 1878 os trabalhos do arqueólogo grego Minos Kalokairinos e as subsequentes do inglês Sir Arthur Evans revelaram uma vez mais a grandiosidade do Palácio de Minos.O Cnossos que eles descobriram evoca uma invejável forma de vida,na qual trabalho e belea atingiram uma harmonia notável.

Das Canaliações do Palácio à Via Processional

O nível de uma civilização pode, talvez,medir-se pelas canaliações das suas cidades.As dos Minóicos,especialmete entre o ano de 1700 e a catástrofe final,superaram todas as expectativas.Poucas das inúmeras maravilhas de Cnossos serão capazes de provocar tanto impacto como as 3 canalizações de barro tão bem colocadas hoje nas suas caixas de visita,como o estavam há 4000 anos atrás.Os canos foram cuidadosamente apertados de modo a diminuir o fluxo da água e,tal como as valetas e as sargetas para depósitos dos sedimentos á beira dos caminhos empedrados,constituem um dos muitos exemplos da perícia dos Minóicos no âmbito da hidrodinâmica.
O acesso ao Palácio de Cnossos pela entrada”comercial” de Oeste conduz a 3 cavidades muradas.Era aqui,que depois das cerimônias religiosas,se devolviam á terra de onde tinham brotado o sangue dos animais sacrificados e o mel,vinho,azeite e leite das libações.
Pouco de conhece dos aposentos da guarda militar,ali próximo,cujas funções devem ter sido mais administrativas do que militares.Na verdade e um dado comum a todos os palácios Minóicos,existirem poucas armas entre os inúmeros artefactos encontrados,e mesmo essas possuírem uma função principalmente cerimonial.Os próprios Palácios não são fortificados,podendo-se concluir que os Minóicos viviam em paz com os vizinhos.
Os aposentos da guarda marcam a entrada da Via Processional que termina num amplo lanço de escadas que conduzem ao andar onde se situa o pátio.Um dos espantosos frescos em tamanho natural que nos mostram tanto do passado dos Minóicos chama sobre si toda a atenção.Um cortejo de Sacerdotes e Sacerdotizas,segurando uns frascos e vertendo líquidos de oferendas ás suas Divindades,caminham com natural dignidade.

Os Acrobatas Saltadores de Touros

Passados os celeiros de pedra,encontra-se uma sala onde foram encontrados vivos e dramáticos frescos Minóicos.O mais famoso e pungente mostra como que numa reconstrução fotográfica,a graça e a audácia dos acroatas saltadores de touros,numa espécie de festejo que é simultaneamente desportivo e ritual.Logo que o touro avança cada um dos acrobatas-são de ambos os sexos-“pega-o” pelos cornos,salta para o dorso do animal,dá seguidamente uma cambalhota e volta a saltar agilmente para chão.Uma simples escorregadela…e era a morte do artista.
Á medida que os acrobatas”pegavam” o touro um imediatamente após o outro numa rapidissíma sucessão provocavam,nos espectadores,uma certa dificuldade de distinguirem,a certa altura,onde terminava o animal e começava o homem e vice-versa.O resultado desta indefinição é fácil de comprovar pela imagem do Minotauro,meio touro meio homem.Não se sabe se estes espectáculos tauromáticos eram realmente no grande pátio,mas o certo é que ele era realmente o ponto central da vida do palácio.O rígido simbolismo das casas de consagração,que dominavam o pátio com toda a simplicidade de uma escultura moderna,leva-nos a pensar que ele era mais do que um mero ponto de encontro da vida do Palácio.

O Pátio da Rainha

Tal como Arthur Evans o concebeu,devia realmente conter em si todas as formas de conforto conhecidas dos Minóicos;águas correntes,sistemas de esgotos sofisticados,”sanitas”de madeira.Frescos alegres e coloridos ornamentam as paredes em espirais simbólicas e simpáticos golfinhos-o golfinho era o emblema Minóico que simbolizava a Alegria de Viver.A Ala da Rainha é ainda mais labiríntica do que o resto do Palácio;só para entrar e sair da casa de banho existem 5 caminhos!!!

O Coração do Palácio

Acima do piso do pátio a Ala Leste do Palácio era talhada nas montanhas.Numa extremidade ficavam os aposentos reais,enquanto que na outra se situavam as oficinas dos carpinteiros,oleiros,pedreiros e joalheiros responsáveis pelos luxos e conforto evidentes nos próprios aposentos.
O acesso aos apartamentos reais fazia-se pela chamada Grande Escadaria,não tendo grandeza nem dimensão em si,possuía inegável grandiosidade quanto á sofisticação e arte.Os pilares pretos e vermelhos,mais estreitos próximo da base,rodeavam uma clarabóia que não se iluminava os aposentos inferiores como constituía uma espécie de sistema de”ar condicionado”natural para todo o palácio.As portas do Pátio do Rei abriam-se e fechavam-se de modo a regular a”entrada”de ar fresco e aromatizado com tomilho selvagem e lmão,provindo de uma colunata exterior;o ar quente subia pela escada.No Inverno as portas podiam fechar-se,ao mesmo tempo que eram instaladas lareiras portáteis para aquecer o ambiente.
O centro do poder era a Sala do Trono,onde o rei Minos reunia a corte.À entrada desta sala existe uma bacia de pórfiro ali colocada por Arthur Evans,que achava que ela seria utilizada em rituais de purificação,antes de se entrar na sala mais anterior do Palácio.Tais preocupações resumem o Palácio de Cnossos que podemos ver hoje;uma extraordinária reconstrução do Palácio do Rei de Minos exactamente como era em 1600 a.C,e tal como foi vizualizada por um arqueólogo inglês cuja única intenção foi a de captar no tempo a Idade de Ouro do Império Minóico.

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