terça-feira, 9 de novembro de 2010

D.João II,O Principe Perfeito

Portugal

D.JoãoII;

Filho de D. Afonso V,subiu ao trono em 1481,sendo certo que exercia já há alguns anos o poder de facto,pois,as frequentes ausências do reino,por parte de D. Afonso V,põem-lhe nas mãos o governo do país.
Quando,em 1481,D. João II sobe ao trono,os Descobrimentos e a expansão iniciara-se cerca de sessenta anos antes por iniciativa de seu tio-avô,o infante D. Henrique.
Apesar de ter sido muitas vezes dito que a tentativa da descoberta de um caminho marítimo para a Índia fazia parte dos projectos do infante D. Henrique,tudo indica que o “Plano da Índia”é concebido por D. João II quando,ainda príncipe,passa a ter a responsabilidade pela orientação práctica das navegações.É dele que parte a iniciativa de reconhecer as condições físicas do Atlântico Sul,de que encarrega Duarte Pacheco Pereira,e a decisão de prosseguir cada vez mais para Sul as viagens ao longo da costa africana.São também decisão sua as duas viagens de Diogo Cão,
que na segunda atinge como ponto mais meridional a serra da Parda;a viagem de Bartolomeu Dias,que leva,em 1488,navios Portugueses pela primeira vez ao Índico;e, também, a missão desempenhada por Pêro da Covilhã que,no Indostão,no Golfo Pérsico e na costa oriental de África,permite recolher preciosas informações de carácter económico.

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Mas pode parecer estranho que,sabendo,já no início de 1489,da intercomunicabilidade entre os oceanos Atlântico e Índico,por informações colhidas em geógrafos árabes,não tenha decidido mandar nos anos que ainda viveu,uma armada para o comprovar.Há quem acredite ter havido entre a viagem de Bartolomeu Dias e a de Vasco da Gama armadas “secretas”.Porém,carecendo essas teorias de prova histórica,é mais aceitável supor que,para concretização do seu plano da Índia, faltava uma peça essencial:a garantia de que o oceano Atlântico era mar “Português”. E só o Tratado de Tordesilhas,em 1494,o garante.D. Manuel virá a colher os frutos e a glória do descobrimento do caminho marítimo para a Índia que o Príncipe Perfeito tão laboriosa e inteligentemente preparou.


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D. João II,Consolidação do Poder Real;

Constrói assim os alicerces de um estado moderno e na ordem externa lança as bases de uma empresa colonial cujos frutos virão a ser colhidos nos reinados seguintes. Porém,o sonho da união dos reinos peninsulares sob uma mesma coroa,acalentado por seu pai,não o abandona completamente.Sabe que,com propósitos semelhantes de hegemonia Peninsular,aos reis de Castela e de Aragão agrada a ideia de casar a sua herdeira,a infanta Isabel,com o infante D. Afonso de Portugal.D. João II desenvolve uma estratégia conducente à realização desse casamento,que virá a verificar-se,por entre festejos faustosos,em Novembro de 1490.
Mas pouco tempo irá,no entanto,durar o sonho...Em Julho de 1491 o príncipe D. Afonso morre de uma queda de cavalo,à beira-rio,perto do paço de Almeirim.Todo o projecto se desfaz.Dominado por uma profunda dor,D. João II ainda tenta legitimar em Roma D. Jorge,um filho bastardo,como seu sucessor.Mas a oposição da rainha e as influências dos seus inimigos prevalecem.D. Manuel,Duque de Beja,irmão do duque de Viseu que o rei assassinara por suas mãos,sobrinho-neto de D. Afonso V,está agora na primeira linha da sucessão.

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Descobrimento ou conhecimento secreto do Brasil? Política de sigilo?

O certo é que D. João II impõe um alargamento da área exclusiva do Atlântico:em vez das 100 léguas a oeste de Cabo Verde,que tinham sido propostas como fronteira marítima entre Portugal e Castela,ele exige 370 léguas,abrangendo assim parte da América do Sul.Duarte Pacheco Pereira e Garcia de Resende aludem,de facto a esta táctica de protecção aos avanços náuticos e aos planos de expansão.Por outro lado, o facto de D. João II se ter recusado a apoiar a empresa de Colombo,destinada a descobrir terras que iriam cair na posse da Coroa de Castela,parece também apoiar a tese do conhecimento sigiloso.Na realidade,os resultados obtidos demonstram a inequívoca existência de um plano que privilegia o domínio das navegações na costa de África e o descobrimento de uma rota para o Oriente.

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O Tratado de Tordesilhas,de 1494,realizado já depois da viagem de Colombo,em 1492-93,assegura uma vasta parcela do Atlântico como zona exclusiva da Coroa e confirma também a posição de Portugal na sua rota para a Índia.Estabelecida a figura jurídica que se conhece por “mare clausum”,fica consagrado o direito de as duas grandes potências da época condicionar o direito à navegação por parte de terceiros, nomeadamente dos ingleses,o que não lhes agrada nada.O mundo não terá sido dividido em duas partes,uma para Portugal,outra para Castela,como afirma a imagem popular, mas o Tratado de Tordesilhas,prodígio da política externa de D. João II,atribui a Portugal um poder que nunca fora atingido antes por qualquer potência.Tordesilhas é um monumento à astúcia e à visão de futuro do Príncipe Perfeito.
Todavia,internamente,os ódios da nobreza espoliada são uma fogueira inextinguível.O cognome atribuído ao rei por estes é o de o Tirano.Logo a seguir às bodas do príncipe,no paço de Évora,começa a manifestar-se uma estranha enfermidade no rei. Começam por ser apenas “acidentes e desmaios”,mas,por meados de 1495,a doença começa a agravar-se e o seu esbelto aspecto físico vai-se convertendo num corpo balofo e disforme.São quatro anos de luta entre a doença e a vontade férrea do rei.Suspeita-se,de envenenamento.Diz Rui de Pina: “Depois do falecimento do príncipe,el-rei,ou pela sobeja tristeza e mortal dor que nele padeceu(como é mais de crer),ou por peçonha que lhe deram,como alguns sem certidão suspeitaram,nunca foi em disposição de perfeita saúde.”
Ao pôr do sol de 25 de Outubro de 1495,com quarenta anos de idade,morre no Alvor D. João II,o Príncipe Perfeito,como ficou para a história.O Tirano,como o considerava a nobreza,cujos poderes despóticos esmagou também com despotismo.Ou,mais simplesmente,” El hombre”,como o designou Isabel,a Católica. Quando lhe trouxeram a notícia da morte do seu primo,terá dito,num misto de tristeza e admiração:
“- Morreu o Homem!”
D. Manuel,Duque de Beja,que D. João II após ter-lhe morto o irmão,sempre protegera, sobe ao trono.Logo em 1496,a Casa de Bragança é restaurada.Os nobres refugiados no estrangeiro começam returnar a Portugal.Porém,sob este aparente apagamento das medidas tomadas pelo Príncipe Perfeito,emerge triunfante o valor da sua obra - pouco depois as armadas portuguesas atingem a Índia,espalham-se pelo Oriente, acham o Brasil... Portugal irá viver as décadas de ouro da sua Gloriosa história.

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