quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Patrulha Perdida do Vôo 19

Bermudas

Os cinco primeiros aviões que desapareceram,aparentemente ao mesmo tempo, encontravam-se em missão de rotina de treino com um plano de vôo determinado;seguir uma linha triangular que se iniciara na Base Aeronaval de Forte Lauderdale(Flórida), avançando 250 Km para leste,65 Km para o norte,e depois rtornar às suas bases,pelo rumo sudoeste.

O Vôo 19 era a designação do grupo de aviões e eram pilotadas por cinco comandantes,contavam com nove membros na tripulação,distribuídos dois a dois em cada avião,menos um deles,que pedira a sua retirada das equipas de vôo devido a um“pressentimento”e não fora substituído.Os aviões eram aparelhos Grummans Navais TBM-3 Avenger,bombardeiros com torpedos,e cada um deles levava bastante combustível para um vôo de mais de mil e seiscentos Km.A temperatura era 18,3°C,o sol brilhava e havia pequenas nuvens esparsas e ventos moderados de nordeste.Pilotos que tinham voado antes naquele mesmo dia haviam constatado as condições ideais de vôo.O tempo previsto para o vôo era de duas horas.
Os aviões começaram a decolar às duas horas da tarde e às 2h10m estavam todos no ar. O Tenente Charles Taylor,com mais de 2.500 horas de vôo,e que estava no comando da esquadrilha,guiou o grupo em direcção aos baixios Chicken,a norte de Bimini,onde eles deveriam fazer ataques de treino sobre um casco desmantelado que servia de alvo.Tanto os pilotos como os tripulantes eram experientes e não havia nenhuma razão para esperar algo de natureza excepcional naquela missão de simples rotina,do Vôo 19.

Bermudas

Mas algo aconteceu...Por volta das 3h15m,quando o bombardeio terminou e os aviões deveriam continuar no rumo leste,o radioperador da torre da Base Aeronaval de Forte Lauderdale,que estava à espera do contato com os aviões para saber a provável hora do retomo e transmitir-lhes as instruções de aterrissagem,recebeu uma mensagem do líder da esquadrilha.Eis a gravação;

"Tenente Charles Taylor— Chamando a torre.Isto é uma emergência.Parece que estamos fora do rumo.Não consigo ver a terra... Repito... Não consigo ver a terra.

Torre— Qual é a sua posição?

Tenente Charles Taylor-Não estamos certos de nossa posição.Não tenho a certeza de onde estamos... Parece que estamos perdidos.

Torre— Mude o rumo para oeste.

Tenente Charles Taylor— Não sabemos para que lado fica o oeste.Tudo está errado... Estranho... Não temos certeza de nenhuma direcção— até mesmo o oceano parece diferente,esquisito..."

Cerca das 3h30m da tarde,o instrutor-chefe dos vôos em Forte Lauderdale captou no seu rádio uma mensagem de alguém chamando Powers,um dos alunos-pilotos,pedindo informações a respeito da leitura da sua bússola,e ouviu Powers responder:

"—Eu não sei aonde estamos.Devemos ter-nos perdido após a última volta."

O instrutor-chefe conseguiu contacto com o Vôo 19,e chamou o instrutor do vôo,que lhe disse:

"—As minhas bússolas estão fora de acção.Estou tentando encontrar o Forte Lauderdale...Tenho certeza que estamos sobre as ilhas do litoral,mas não sei a que distância..."

O instrutor-chefe depois disto aconselhou-o a voar rumo norte—com o sol por bombordo—até que ele alcançasse a Base Aeronaval de Forte Lauderdale.Mas logo em seguida ouviu;

"—Acabamos de passar sobre uma ilhota... Não há mais nenhuma terra à vista..."

Isso indicava que o avião do instrutor do Vôo 19 não estava sobre a costa e que toda a esquadrilha,já que nenhum deles conseguia ver terra,que normalmente seguiria em continuação às ilhas baixas da costa da Flórida,havia perdido a direcção.
Foi ficando cada vez mais difícil captar as mensagens do Vôo 19 devido à estática. Aparentemente o Vôo 19 já não podia ouvir as mensagens enviadas pela torre de controle,mas a torre conseguia ouvir a conversa trocada entre os aviões.Algumas se referiam a uma possível falta de combustível;-gasolina para apenas mais cem Km de vôo,referências a ventos de 120 Km por hora,e a desalentada observação de que todas as bússolas,magnéticas ou giroscópicas,de todos os aviões,“tinham ficado malucas”— cada qual dando uma leitura diferente.Durante todo este tempo,o poderoso transmissor de Forte Lauderdale foi incapaz de estabelecer qualquer contacto com os cinco aviões, pesar das comunicações entre os componentes da esquadrilha serem perfeitamente audíveis.
Nesta altura,o pessoal da base estava num compreensível alvoroço quando se espalhou a notícia que o Vôo 19 havia-se deparado com uma emergência de origem ignorada. Todos os tipos de suposições a respeito de ataques inimigos(apesar da Segunda Guerra l Mundial já ter terminado há alguns meses)ou até mesmo de ataques por novos inimigos,como eles próprios sugeriram,determinaram o envio de um aparelho de resgate,um bimotor Martin Mariner,hidroavião de patrulha com uma tripulação de 13 pessoas,que decolou da Base Aeronaval do Rio Banana.
Ás 4 horas da tarde,a torre conseguiu ouvir o Tenente Taylor,inesperadamente,passara o comando da esquadrilha para um antigo piloto da Marinha,o Capitão Stiver.Apesar de confusa devido à estática e deformada pela excessiva tensão,uma mensagem compreensível foi enviada por ele:

"—Não temos certeza de onde estamos...Penso que devemos estar a 360 Km a nordeste da base...Devemos ter passado por cima da Flórida e estar sobre o Golfo do México..."

O líder da esquadrilha aparentemente resolveu dar uma volta de 1800 na esperança de voltar para a Flórida,mas ao fazer a curva a transmissão começou a ficar cada vez mais fraca,indicando que deviam ter feito a curva na direcção errada e que estavam se afastando no rumo leste,cada vez mais longe da Flórida e na direcção do mar alto.Alguns relatórios afirmam que as últimas palavras ouvidas do Vôo 19 foram;

"— parece que...nós estamos..."

Enquanto outros radioperadores parecem lembrar-se de mais alguma coisa,tais como,

"—Estamos em águas brancas...Estamos completamente perdidos..."

Nesse meio tempo a torre de controle recebeu uma mensagem enviada poucos minutos após a decolagem do Tenente Come,um dos oficiais do Martin Mariner,despachada da área geral de onde se presumia estivesse o Vôo 19,afirmando que havia fortes ventos acima de dois mil metros.Esta foi,no entanto,a última mensagem recebida do avião de resgate.Logo depois todas as unidades de busca receberam uma mensagem urgente dizendo que eram seis e não mais cinco aviões que haviam sumido.O avião de resgate, com seus 13 tripulantes,também desaparecera.
Nenhuma mensagem posterior foi recebida do Vôo 19 ou do Martin Mariner enviado para procurá-los.Um pouco depois das 7h da noite,no entanto,a Base Aeronaval de Opa-Locka em Miami captou uma mensagem muito fraca que consistia de;

"— FT... FT..."—(que era o código dos aviões do Vôo 19. O avião do instrutor do vôo era o FT-28.Mas se esta chamada fosse mesmo da “patrulha perdida”,a hora em que ela foi captada indicava uma transmissão duas horas depois de os aviões presumivelmente já estarem sem gasolina.)

As buscas aéreas,iniciadas no dia do desaparecimento,foram suspensas quando escureceu,mas barcos do Serviço da Guarda Costeira continuaram a procurar sobreviventes a noite inteira.No dia seguinte,quinta-feira,um imenso esforço de buscas começou às “primeiras horas”,isto é,ao nascer da alvorada,embora tenha-se desencadeado uma das mais intensas operações de resgate de toda a História(que envolveu 240 aviões,além de 67 suplementares do porta-aviões Solomons,quatro destróieres,vários submarinos,18 barcos da Guarda Costeira,centenas de aviões particulares,iates e barcos menores,e os restantes PBM da Base Aeronaval do Rio Banana e apesar da ajuda da RAF e das unidades da Marinha Real Britânica sediadas nas Bahamas)nada foi encontrado.
Uma média diária de 167 vôos,a cem metros acima do nível do mar,da madrugada até o anoitecer,procedendo a uma inspeção minuciosa sobre 380.000 milhas quadradas de terra e de mar,inclusive no oceano Atlântico,mar das Caraibas,parte do Golfo do México e a zona territorial da Flórida e nas ilhas vizinhas,com um tempo de vôo que totalizou 4.100 horas,não revelou nenhuma balsa salva-vidas,nenhum destroço ou qualquer mancha de óleo.As praias da Flórida e das Bahamas foram vasculhadas diariamente várias semanas na esperança de nelas se encontrar algum destroço dos aviões perdidos trazido pelas marés.Tais buscas não tiveram qualquer sucesso.
Todos os indícios possíveis foram investigados.Num relatório foi dito que um clarão avermelhado fora visto em terra por um avião comercial,no dia dos desaparecimentos, foi tido como sendo a possível explosão do Martin Mariner.Mas logo essa versão era posta de lado.Mais tarde um navio mercante anunciou ter visto uma explosão no céu às sete e meia da noite.Mas se tal explosão tivesse algo a ver com os cinco Avengers, isto significaria forçosamente que eles estavam ainda voando horas depois de seu combustível ter-se esgotado.Além do mais,explicar desta maneira a perda de todos os aviões sem deixar nenhum traço implicaria a hipótese de que eles todos se tivessem chocado ao mesmo tempo e explodido após silenciarem o rádio totalmente,igualmente notável o facto de que nenhum SOS foi enviado,fosse pelo Vôo 19,ou pela missão de resgate.Quanto à possibilidade de uma aterrissagem forçada no oceano,observa-se que os Avengers eram capazes de descer suavemente,podendo-se manter á superfície por noventa segundos em qualquer eventualidade.E as suas tripulações estavam treinadas para abandonar as aeronaves em sessenta segundos.Balsas salva-vidas estavam disponíveis e eram facilmente alcançadas pelo lado de fora dos aviões.Assim,em praticamente quase todos os tipos de aterrissagem,as balsas salva-vidas boiariam e eventualmente seriam encontradas.Durante a primeira parte da operação de resgate,alguns observadores notaram grandes ondas,mas as vagas eram tão separadas umas das outras que os aviões poderiam ter descido,se necessário,nos intervalos.A curiosa menção às “águas brancas”na última mensagem recebida do Vôo 19 pode talvez ter alguma conexão com a estranha neblina branca e espessa que é um facto ocasional naquela região.Isto talvez possa explicar a falta de visibilidade e o comentário de que o sol “estava diferente”,mas é certo que não teria afectado as bússola e os giroscópios.Por outro lado,existe um local entre a Flórida e as Bahamas em que as comunicações pelo rádio silenciam-se,mas os problemas dos aviões começaram antes que o contacto pelo rádio fosse perdido.
Uma Comissão Naval de Inquérito,depois de examinar todas as evidências disponíveis e chegando incidentalmente a debater o problema durante a corte marcial a que foi submetido o oficial encarregado dos instrumentos de bordo(que mais tarde foi absolvido quando ficou estabelecido que todos os instrumentos tinham sido verificados,por ele,antes da decolagem),terminou também às escuras quanto ao que realmente acontecera.
Também foi muito estranho esse pressentimento do desastre,que pareceu afectar pelo menos dois membros do Vôo 19.Um deles foi o próprio instrutor de vôos.Às 1h15m da tarde ele chegou atrasado para a reunião de instruções antes do vôo e pediu ao oficial de serviço para ser dispensado desta particular missão.Seu pedido não foi acompanhado de nenhuma explicação,simplesmente declarou que não desejava tomar parte da missão.Como nenhum substituto estava disponível,o pedido não foi atendido.
Um segundo caso,que o Tenente Wirshing presenciou pessoalmente,foi muito comentado, programado para o Vôo 19,o cabo Allan Kosnar não se apresentou na hora da descolagem.Ele foi citado pela imprensa por ter dito;

"—Não posso explicar porquê,mas por alguma estranha razão,eu resolvi não voar naquele dia."

De acordo com o Tenente Wirshing,o cabo,um veterano de Guadalcanal,só tinha mais quatro meses para servir antes de ser desmobilizado e havia pedido há vários meses para ser retirado das forças de vôo.No dia do vôo o problema tomara a surgir e o Tenente Wirshing dissera a ele para se apresentar ao médico da esquadrinha para pedir a sua retirada do vôo naquele dia.Ele fez isto e a esquadrilha decolou com um tripulante a menos.Quando as primeiras indicações de problemas com o Vôo 19 se tornaram evidentes,o Tenente Wirshing dirigiu-se ao alojamento à procura de voluntários.A primeira pessoa que ele encontrou ali foi o cabo recentemente licenciado,que disse:

"—Lembra-se que o Senhor me mandou ver o médico da esquadrilha?Eu fui,e ele me desobrigou do vôo.Agora é a minha esquadrilha que se perdeu."

Um relatório do momento da descolagem,no entanto,indicava que os aviões haviam saído com as tripulações completas,como se alguém houvesse embarcado no último minuto no lugar do cabo.Isto causou uma chamada de mais de uma hora na base inteira,para se descobrir se alguém mais estava faltava.Quando ficou confirmado que não faltava mais ninguém,o mistério adicional das “tripulações completas”tornou-se apenas mais um elemento insolúvel no múltiplo desaparecimento.Este caso foi mais um ligado aos muitos desaparecimentos na área do Triângulo das Bermudas,que acalentam muitas teorias,entre as quais os raptos por Aliens...

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