quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os Excessos de Calígula

Caligula

Há personagens que têm ido para a história com grandes exércitos, como César e Alexandre, ou como grandes políticos e governantes, como Augusto. No entanto, existem também aqueles que foram retratados como verdadeiros exemplos de depravação, é o caso de Calígula,Imperador dos Romanos entre 37 e 41 dC. O que sabemos sobre ele é que ele era um personagem muito caprichosa,demente, desprovido de qualquer sentido ético ou moral, e capaz de extrema crueldade e atrocidades.Mas serão verdade essas fontes históricas?
O problema das fontes, no caso de Calígula é demasiado complexa.São muito discutidas as versões dos historiadores gregos e romanos, assim que a sua descrição não é muito objectiva.

Vários relatórios dessas fontes narram muito contra Calígula, principalmente de Suetónio e Dio Cassius. Note-se que as fontes são mais focadas em histórias que na política do jovem Imperador, dando-nos um pouco distorcida a sua verdadeira personalidade . Essa imagem negativa de Calígula, e dos outros membros da sua Dinastia, não chegam a fazer mais do que lançar as bases para a mudança de Dinastia, e promover uma imagem benigna do governo,dos Imperadores Flávios durante o qual estas Biografias foram escritas.
Os poucos dados seguros existentes, não têm feito parte dos Anais de Tácito sobre o reinado de Calígula.Suetónio gasta 9 capítulos da sua biografia para descrever o Imperador Calígula apelidado por ele de monstro.
São verdadeiras ou falsas, as afirmações que nos têm descrito desta personagem na sua irracionalidade e crueldade???

A Sua Juventude;

Suetónio aponta-nos alguns traços de caráter sinistro de Calígula, já presente nos seus verdes anos;

"...E, ao mesmo tempo, no entanto, não escondeu as suas inclinações viciosas, sendo um dos seus maiores prazeres, testemunhar a tortura e o castigo final dos condenados. À noite ía a lugares de destruição e adultério envolto num grande manto e a cabeça escondida sob uma peruca. Ele tinha paixão especial pelo teatro,a música e a dança."

De seu verdadeiro nome;Caio Júlio César Augusto Germânico (em latim Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus; 31 de Agosto de 12 d.C. - 24 de Janeiro de 41), também conhecido como Caio César ou Calígula (Caligula).


Caligula

A sua alcunha Calígula (que significa "Botinhas" em Português) foi posta pelos soldados das Legiões comandadas pelo pai, que achavam graça vê-lo mascarado de Legionário, com pequenas "Caligae" (sandálias militares) nos pés.
Era o filho mais novo de Germânico, que, pela sua vez, era sobrinho do Imperador Tibério. Germânico é considerado como um dos maiores generais da história de Roma. A mãe de Calígula era Agripina. Cresceu com a numerosa família (tinha dois irmãos e três irmãs) nos acampamentos militares da Germânia Inferior, onde o pai comandava o exército Imperial (14 – 16). Após a celebração em Roma do triunfo do seu pai, marchou com ele para Oriente. Germânico faleceu durante a sua estadia em Antioquia, em 19. Após enterrar o seu pai, Calígula regressou com a sua mãe e os seus irmãos para Roma, onde a incomodidade que a sua presença gerava no Imperador degenerou numa inimizade, causador provável das "estranhas" mortes de uma série de parentes do futuro Imperador,entre os quais se contavam dois dos seus tios.
Calígula contraiu matrimónio com Júnia Claudilla. Este matrimónio terminou com a morte de Júnia durante um parto no ano seguinte.
As suas relações com Tibério pareceram melhorar quando este se mudou para Capri e foi designado "Pontifex Maximus". À sua morte —a 16 de Março de 37—, Tibério ordenou que o Império devia ser governado conjuntamente por Calígula e Tibério Gemelo.
Apesar de Tibério ter então 77 anos, alguns Historiadores defendem que foi assassinado.Tácito escreve que o "Praefectus" Macro,amigo e aliado de Caligula,asfixiou o Imperador a fim de garantir a ascensão de Calígula;Suetónio afirma que até mesmo o novo herdeiro pôde ter sido o autor do assassinato.Pela sua vez, Fílon e Josefo registram que Tibério faleceu por morte natural.

O Seu Reinado;

Após desfazer-se de Gemelo, o novo Imperador tomou as rédeas do Império. A sua administração teve uma época inicial pontuada por uma crescente prosperidade e uma gestão impecável; porém, a grave doença pela qual passou o Imperador marcou um ponto de inflexão no seu jeito de reinar. Apesar de que uma série de erros na sua administração derivaram numa crise económica e numa fome, empreendeu um conjunto de reformas públicas e urbanísticas que acabaram por esvaziar o tesouro. Apressado pelas dívidas, pôs em funcionamento uma série de medidas desesperadas para restabelecer as finanças Imperiais, entre as que se destaca pedir dinheiro à plebe.
Militarmente, o seu reinado esteve caracterizado pela anexação da província da Mauritânia (a cujo monarca assassinou numa das suas visitas a Roma), pelo insucesso na conquista da Britânia e pelas tensões que açoitaram as províncias orientais do Império. No Oriente, deu amostras da sua graça mediante a concessão dos territórios de Bataneia e Traconítide ao seu amigo Herodes Agripa, e da sua megalomania ao ordenar que fosse erigida uma estátua na sua honra no Templo de Jerusalém; enquanto no Ocidente deu provas da sua demência ao pedir o exército que em vez de atacar as Tribos Britanas se pusesse a recolher conchas, o tributo que segundo ele essas águas lhe deviam ao monte Capitolino e ao monte Palatino.


Biografias

Segundo determinados Historiadores, nos seus últimos anos de vida esteve envolvido numa série de escândalos entre os quais se destacam manter relações incestuosas com as suas irmãs;Agripina,a Menor, Drusilla e Júlia Livilla,e até mesmo obrigá-las a prostituir-se.
As fontes existentes que descrevem o seu reinado,referem-se de maneira pouco favorável. Pelo contrário, as fontes centram-se na sua crueldade, extravagância e perversidade sexual, apresentando-o como um tirano demente.Embora a fiabilidade destas fontes seja difícil de avaliar, de acordo com o conhecido com certeza a respeito do seu reinado, trabalhou incansavelmente a fim de aumentar a autoridade do Princeps; tendo de fazer face a várias conspirações surgidas com o objectivoo de derrocá-lo e lutando a fim de reduzir a influência do senado, esmagando a oposição que este órgão legislativo continuava exercendo. Tornou-se o primeiro Imperador em apresentar-se frente do povo como um Deus.
Calígula aceitou todos os poderes do Principado que lhe conferiu o Senado e, quando entrou em Roma a 28 de Março, foi recebido por uma grande multitude que o aclamou entre outros com as alcunhas de "o nosso bebé" e "a nossa estrela".É descrito como o primeiro Imperador que, no momento da sua ascensão, era apreciado por todos.Devido ao facto de ser o filho do finado Germânico,muito amado pela plebe, bem como o sucessor de Tibério, cuja época final no trono fora terrível para o povo Romano.Segundo Suetónio foram sacrificados cerca de 160.000 animais na sua honra durante os três primeiros meses do seu reinado.Segundo Fílon, os primeiros sete meses do reinado de Calígula foram dos mais felizes que experimentara o Império em muito tempo.
As fontes existentes que descrevem o seu reinado,referem-se de maneira pouco favorável. Pelo contrário, as fontes centram-se na sua crueldade, extravagância e perversidade sexual, apresentando-o como um tirano demente.Embora a fiabilidade destas fontes seja difícil de avaliar, de acordo com o conhecido com certeza a respeito do seu reinado, trabalhou incansavelmente a fim de aumentar a autoridade do Princeps; tendo de fazer face a várias conspirações surgidas com o objeto de derrocá-lo e lutando a fim de reduzir a influência do senado, esmagando a oposição que este órgão legislativo continuava exercendo. Tornou-se o primeiro Imperador em apresentar-se frente do povo como um Deus.

Enfermidade,Conspirações e Mudança de Atitude;

Calígula caiu gravemente enfermo em Outubro de 37. Esta doença é descrita nomeadamente pelo historiador Fílon,Dião Cássio também a menciona brevemente na sua obra.Segundo Fílon a sua doença devia-se a que Calígula, após ser nomeado Imperador, tornou-se amigo demais dos excessos.O Império ficou paralisado ao receber a notícia da doença, pois o seu jovem monarca levara-os para um período de prosperidade que diziam equiparável ao de Augusto.Embora Calígula conseguisse recuperar-se por completo desta doença, o estar tão perto da morte marcou um ponto de inflexão no seu modo de reinar,tal qual indica Josefo.
"Após recobrar a saúde, Calígula ordenou assassinar várias pessoas que prometeram as suas vidas aos Deuses se o Imperador se recuperava.Forçou a cometer suicídio àqueles exilados durante o seu reinado;a sua esposa; o seu sogro, Marco Silano; e o seu primo, Tibério Gemelo."
Fílon escreve que Gemelo instigou uma conspiração contra Calígula enquanto o Imperador estava enfermo.Antes de se suicidar, Silano foi julgado por Calígula pois Júlio Grecino, o encarregue de justiçá-lo num primeiro momento, recusou, sendo executado por isso.Suetónio crê que estes complots eram pura imaginação do Imperador.
Calígula foi duramente criticado por ordenar execuções sem juízo prévio. A mais significativa foi a do ex-prefeito do pretório Sutório Macro, a quem em muitos sensos Calígula devia o trono.

Crise Económica e Fome;

Segundo Dião Cássio, o Império teve de fazer face a uma grave crise económica em 39.Suetónio estabelece o começo da crise em 38. A política de Calígula, pontuada pela generosidade e a extravagância, esgotou as reservas financeiras do Império. Os historiadores antigos afirmam que Calígula reagiu acusando falsamente alguns Senadores e cavaleiros para os multar e até mesmo executá-los com o propósito de se apoderar do seu património.Com o objectivo de fazer face à crise, Calígula pôs em funcionamento uma série de medidas desesperadas, algumas das quais são descritas pelos historiadores; como pedir dinheiro ao povo nos actos públicos.Estabeleceu novos impostos nos juízos, casamentos e prostíbulos,e implementou leilões pelas vendas dos Gladiadores nos espetáculos.Os testamentos de cidadãos Romanos que deixavam os seus bens a Tibério foram reinterpretados de modo a que Calígula recebesse esses bens.Os Centuriões que adquiriram propriedades durante saques foram obrigados a devolver a sua pilhagem e os oficiais responsáveis pelo cobro dos impostos relativos ao uso de calçadas foram acusados de incompetência e multados duramente.
Talvez fosse esta crise económica a causadora de uma breve fome de grandes dimensões que açoitou o Império por essa época, embora os historiadores clássicos difiram nas suas opiniões;Segundo Suetónio, era devido a que Calígula confiscara a maioria de carruagens públicas.Segundo Séneca, o motivo foi que Calígula impediu o uso de barcos para o transporte de cereais para os utilizar como ponte flutuante.

Caligula,o Deus Vivo;

Em 40, Calígula desenvolveu uma série de políticas muito controvertidas que fizeram da religião um importante elemento do seu papel político. O Imperador começou a realizar as suas aparições públicas vestido de Deus e Semideus, como Hércules, Mercúrio, Vênus e Apolo.Referia a si mesmo como um Deus quando comparecia ante os Senadores, e ocasionalmente aparecia nos documentos públicos com o nome de Júpiter.Erigiu três Templos adicados a si mesmo; dois em Roma e um em Mileto, na província da Ásia.No Fórum, o Templo de Castor e Pólux foi vinculado diretamente à residência Imperial no Palatino e dedicado a Calígula.Foi nesta época que começou a aparecer como um deus frente da plebe.



Caligula

Escândalos;

As fontes contemporâneas, Fílon de Alexandria e Sêneca, o Moço, descrevem o Imperador como um demente irascível, caprichoso e enfermo sexual. Era acusado de dormir com as mulheres dos seus súditos,de matar por pura diversão,de provocar uma fome ao gastar demais dinheiro na construção da sua ponte,e de querer erigir uma estátua de si mesmo no Templo de Jerusalém com o objectivo de ser adorado por todos.
Fontes posteriores, entre as que se destacam Suetónio e Dião Cássio, repetiram nos seus relatos os factos indicados por autores anteriores e acrescentaram novas histórias de loucura. Calígula foi acusado de manter relações incestuosas com as suas irmãs. Seutónio o descreve com tendo;"Estatura alta,corpo enorme,de pescoço e pernas delgadas.Olhos fundos,fronte larga e carrancuda e cabelos raros e alto da testa desguarnecido.Tinha corpo cabeludo e rosto horrível e repelente,e ele procurava torná-lo cada vez mais feroz,ensaiando diante de um espelho,para inspirar terror e espanto".
Além disso, estes Historiadores acusam-no de enviar algumas tropas a efectuar exercícios militares absurdos,e de tornar o palácio num bordel.Provavelmente a história mais famosa é a que conta que o Imperador quis nomear o seu cavalo, "Incitatus", cônsul e sacerdote.
A validez destas fontes é questionável pois, na cultura política romana, a demência e a perversão sexual iam de mãos dadas,nas crónicas que descreviam os maus governantes.

O Seu Assassinato e As Consequências,

Segundo Josefo, as ações do Imperador desencadearam uma série de conspirações,até finalmente ser assassinado; no mesmo, viram-se envolvidos os integrantes da guarda Pretoriana, liderados por Cássio Querea.Embora o complot fosse concebido somente por três homens, parece que muitos Senadores, soldados e equites estavam a par do mesmo e, de certa forma, envolvidos.
Segundo Josefo, as motivações de Querea para cometer o assassinato eram puramente políticas.Suetónio escreve que o motivo do assassinato foram as ironias de Calígula, que usava nomes pejorativos para se referir a Querea,ao que considerava um afeminado e um arrecadador de impostos incompetente.As alcunhas mais empregues pelo Imperador para se referir ao "Praefectus" eram Priapo e Vênus.
A 24 de Janeiro de 41, Querea e alguns Pretorianos abordaram Calígula enquanto ele se dirigia a um grupo de novos actores que participavam nos jogos. Os pormenores a respeito deste acontecimento variam ligeiramente de um escritor para outro, mas todos coincidem em que Querea foi o primeiro a apunhalar o Imperador, seguido pelo restante de conspiradores. Suetónio assinala as similaridades entre o assassinato de Calígula e o de Júlio César. O Historiador escreve que o velho Caio Júlio César (Júlio César) e o novo Caio Júlio César (Calígula) foram assassinados por 30 conspiradores liderados por um homem chamado Cássio (Cássio Longino e Cássio Querea).Quando os guarda-costas Germanos do Imperador se deram conta de que Calígula estava sendo atacado, este já estava morto. Cheios de raiva e dor, os Germanos responderam assassinando os conspiradores, senadores, transeuntes e inocentes por igual.
O senado tratou de usar a morte de Calígula para restaurar a República e, pela sua vez, Querea tentou convencer o exército para que apoiasse os senadores.Porém, os militares permaneceram leais à figura do Imperador,e a plebe unanimemente pediu que os assassinos de Calígula fossem levados frente da justiça.Vendo-se sem apoios, os assassinos apunhalaram a mulher de Calígula, Milónia Cesónia, e à sua filha, Júlia Drusilla, a quem partiram o crânio ao bater a cabeça contra um muro.Contudo, foram incapazes de encontrar o tio de Calígula, Cláudio, que fugiu da cidade. Após ter-se assegurado do apoio da Guarda Pretoriana, Cláudio foi designado Imperador e,ordenou a execução dos assassinos do seu sobrinho.Segundo Suetónio, o corpo do Imperador foi escondido até poder ser incinerado e sepultado pelas suas irmãs. Permaneceu no Mausoléu de Augusto até que, em 410, durante o saque de Roma, as suas cinzas foram espalhadas.

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