quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os Turdetanos

Povos

Os Turdetanos foram um povos Ibero da Hispânia Bética, que habitava a Turdetânia, região a oriente do rio Guadiana e junto ao curso médio e inferior do rio Guadalquivir, do Algarve em Portugal até Serra Morena, coincidindo com os territórios da antiga civilização de Tartessos.
Segundo Estrabão, os Turdetanos, principalmente os que viviam ao longo do rio Baetis, tinham adoptado o modo de vida Romano, e não se lembravam mais da própria língua.


Povos

A Origem dos Turdetanos;

Tartessos tivera uma grande influência Grega, que supostamente conduziu ao desaparecimento da sua monarquia às mãos dos Feio-Púnicos como vingança pelo seu apoio os Focenses após a Batalha de Alália no século VI a.C. Deste desaparecimento surgiu uma nova civilização que, descendente de Tartessos, adaptou-se às novas condições geo-políticas da sua época.
Perdida a ligação comercial e cultural que Tartessos mantinha com os Gregos, a Turdetânia ficou sob influência Cartaginesa, embora desenvolvesse uma evolução própria da cultura anterior, de modo que a população Turdetana sabia-se descendente dos antigos Tartésios e, à chegada dos Romanos, ainda mantinha as suas senhas de identidade próprias. Daí que Estrabão assinalara nas suas crónicas;

"…são considerados os mais cultos dos Iberos, pois conhecem a escrita e, segundo as suas tradições ancestrais, até mesmo têm crónicas históricas, poemas e leis em verso que eles dizem de seis mil anos de antiguidade."

A Sua Cultura;

Descendentes históricos dos Tartessos, tinham uma personalidade própria dentro da cultura dos Iberos. Esta caracterizava-se por um tipo de cerâmica, pintada e com decoração geométrica, escultura animalística que à época romana continuou-se com figuração humana. Na necrópole de Osuna, Sevilha, encontram-se algumas das amostras mais representativas. Embora haja bastantes escavações nesta zona, estas são mais centradas na procura de restos Tartésios que nos Turdetanos.
Tinham características que os diferenciavam dos demais povos Iberos. Tinham uma língua própria, derivada da língua Tartésia, e um alfabeto próprio, sendo o único que não tinha adotado o dos Iberos. A outra diferença fundamental são as particularidades nas necrópoles e enterramentos.

Economia;

Era o povo mais civilizado da Península Ibérica à chegada dos Romanos.
A mineração seria um dos seus recursos mais importantes. Em Huelva encontraram-se as minas mais importantes, e pelos produtos manufaturados associados a elas, acredita-se que já eram exploradas antes da chegada dos Romanos. Havia toda uma indústria associada às minas, situadas onde anteriormente encontravam-se as fábricas Tartésias. Estas fábricas encontravam-se num triângulo formado pelas atuais Huelva, Cádis e Sevilha. Encontraram-se diferentes escoriais que mostram que o sistema de exploração não teve significativos cambios desde antes da chegada dos Fenícios. Estas minas foram bem estudadas por alguns Historiadores, como Antonio Blanco Freijeiro ou Rothenberg. Os minerais extraídos são prata e cobre, tornando-se sobretudo a prata no principal material explorado, culminando na chegada de Roma. Em relação à propriedade das minas, Diodoro afirmava que estas eram de particulares até a chegada de Roma.
Segundo Estrabão, a agricultura foi muito importante e muito variada. Segundo Varrão, estes já conheciam o arado e o trilho antes da chegada de Roma, por influência de Cartago. Cultivavam cereais, oliveiras e videiras.
Em relação à pecuária, é sabido que criavam bois, ovelhas, e cavalos. Conhece-se o filhote de ovelhas pela indústria têxtil associada, como amostra a grande quantidade de fusaiolas e pesas de tear encontradas em alguns túmulos.
O que os Romanos chamavam "Garum" era fabricado em toda a costa Mediterrânea; tratava-se de um molho feito com tripas de peixes em salmoura, que posteriormente se comercializaria por todo o Império a muito alto preço.
Também houve outro tipo de indústrias relacionadas à pesca, conserveiras e salgados, sendo muito importantes na zona do Estreito.
O comércio interior, o comércio inter-regional e o comércio exterior foi muito importante para a sua economia. Há poucos dados dos dois primeiros, pois é possível que foram produtos naturais perecíveis ou manufaturados similares ao do restante de povos.

Sociedade;

À queda de Tartessos, o poder Monárquico desagregou-se e surgiram pequenos Reis. É difícil seguir a esta Monarquia até a chegada de Roma. Sabe-se que houve diferentes alianças entre cidades. Os Historiadores da época nomeiam os Reis que tiveram algum tipo de relação nas guerras Púnicas, como a Culchas.
Parece ser que existia uma vida urbana importante neste povo, vendo a grande quantidade de cidades que continha, mais que em nenhum outro povo Pré-Romano da Península.
Há evidências da existência não de escravos mas de uma servidão comunitária, explorados por uma classe dominante. É possível que estes servos se dedicassem às tarefas agrícolas e mineiras. O poder político era baseado no poder militar, exércitos de mercenários segundo algumas referências. Constatou-se a existência de uma elite que vivia luxosamente graças aos recursos mineiros e as riquezas naturais desta região.

Religião;

Há poucas fontes dos autores clássicos, e pouca documentação Arqueológica. Ainda não se estabeleceu uma relação clara entre elementos simbólicos plasmados na sua cerâmica, por exemplo, onde mostram todo tipo de figuração e seres fantásticos, e a sua Religião.
Há Divindades de finais da Idade do bronze que se vão assimilando com os Deuses trazidos de fora pelos Fenícios e Cartagineses nas diferentes colonizações. Estrabão fala do Santuário Fenício dedicado a Melkart-Hércules em Gadir, outro dedicado a Tanit e um Oráculo dedicado a Menesteio. Encontraram-se em diferentes cavernas de Serra Morena grande série de oferendas votivas, sobretudo pequenas esculturas de bronze. Isto pode significar a existência de diferentes Santuários na zona, pois se encontram em sítios elevados, mas de fácil acessibilidade.

Ritual Funerário;

Encontraram-se poucas necrópoles na Turdetânia, se compararmos com o alto número de centros urbanos. Esta desproporcionalidade é mostrada por alguns historiadores como prova de na última etapa da sua cultura ter-se separado dos costumes Iberos e acercado aos costumes funerários de raízes indo-europeias de povos do interior, que deixavam poucos dados dos seus enterramentos. É esta uma das particularidades que os diferença do restante dos povos Iberos.
O Ritual funerário encontrado em diferentes necrópoles baseia-se na incineração, embora ao não poderem conseguir temperaturas altas, seria mais preciso considerá-lo cremação, pois o cadáver não ficava reduzido totalmente a cinzas. Os mortos eram queimados com os seus vestidos e objetos pessoais. Têm-se descrito dois tipos diferentes de cremação, uma cremação primária, onde os cadáveres eram queimados na própria tumba onde seriam enterrados, e cremação secundária, onde o queimadeiro era comum a várias tumbas, os restos eram recolhidos e depositados numa urna. Estes últimos são enterrados com recipientes com ervas aromáticas, enxovais que não cabiam na urna, e oferendas de alimentos.
Encontrou-se uma série de esculturas associadas a ritos funerários. Têm cronologia antiga, do século V a.C., e acredita-se que podiam representar a classe alta. Também se encontraram diversas estelas com animais mitológicos em Osuna, de cronologia muito mais recente, do século I a.C..
As necrópoles e as esculturas acredita-se que têm mais relação com a aculturação Fenícia e a Cartaginesa e posteriormente a Romana, do que com as tradições funerárias autóctones Turdetanas.

Principais Cidades;

Abra/Torredonjimeno
Acinipo/Ronda la Vieja
Assido/Medina-Sidonia
Asta/perto de Trebujena
Ástigis/Écija
Aurgi/Jaén
Baesuri/Castro Marín
Balleia/Ribera del Fresno
Balsa/Tavira
Bora/Las Casillas (Martos)
Caetobriga/Setúbal
Callentum/Cazalla de la Sierra
Carisa/Espera
Carmo/Carmona
Castulo/Linares/Torreblascopedro
Corduba/Córdova
Hispalis/Sevilha
Ilipa/Alcalá del Río
Ilipla/Niebla
Ilturir/Atarfe
Ipolka/Porcuna
Iptuci/Paterna del Campo
Myrtilis/Mértola
Onuba/Huelva
Orippo/Dos Hermanas
Ossonoba/Faro
Ostippo/Estepa
Pésula/Salteras
Salacia/Alcácer do Sal
TuciMartos
Urso/Osuna
Odisseia/Cerrón de Dalias

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