terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Povos Árabes na Península Ibérica

Povos

A Península Ibérica, correspondente ao futuro território de Portugal e Espanha, foi conquistada pelos Arabes entre os anos de 711 — com a vitória do Berbere Tarique ibn Ziyad, na batalha de Guadalete ou Guadibeca — e 713. Os invasores chamaram o novo espaço de al-Garb al-Andalus.
A dominação Islâmica não teve a mesma duração, nem as mesmas repercussões, em todas as zonas da Peninsula. Foi fraca nas Beiras, a norte do rio Douro, principalmente na região onde viria a se constituir o Condado Portucalense. Também não provocou nenhuma mudança importante, embora aí se tenham fixado, em maior ou menor número, Tribos Muçulmanos, sobretudo, as de origem Berbere.
O pequeno Reino Cristão das Astúrias — formado por Asturos, Cântabros e Hispano-Godos — conseguiu, em 754, expulsar definitivamente os Muçulmanos para o sul do Douro. De facto, foi no sul de Portugal que o Islão deixou marcas profundas, comparáveis à contribuição da presença Romana na estrutura do que, mais tarde, seria a Civilização Portuguesa.
Na Estremadura desenvolveram-se os centros urbanos de al-Usbuna (Lisboa) e Santarin (Santarém). No Baixo Alentejo, as cidades de Baja (Beja) e Martula (Mértola) e, no Algarve — onde a presença Muçulmana se manteve por seis séculos — surgiram Silb (Silves) e Santa Mariya al-Harum (Faro).
Os Arabes(O conjunto de populações Berberes, Sírias, Egípcias e outras...)substituíram os antigos senhores Visigodos.Eram tolerantes com os usos e costumes locais, admitindo as práticas Religiosas das populações submetidas e criando condições para os frutíferos contactos económico e cultural que se estabeleceram entre Cristãos e Muçulmanos,em contraste com outros Povos,por exemplo os Romanos.
Infelizmente,os vestígios materiais da permanência Muçulmana ficam aquém das expectativas, principalmente porque a política Cristã de Reconquista foi a de "terra arrasada",como o habitual...Em enorme contraste com os ditos povos Infiéis,cada localidade retomada era destruída e os objectos e construções queimados em fogueiras que ardiam durante dias. Mas restaram alguns elementos que atestam este período da vida Portuguesa, principalmente nas muralhas e Castelos, bem como no traçado de ruelas e becos de algumas cidades do sul do País.Mas não restaram grandes Monumentos, facto que se explica pela situação periférica do território Português em relação aos grandes centros culturais Islâmicos do sul da Península.
A igreja matriz de Mértola é a única estrutura em que se reconhecem os traços de uma Mesquita. São testemunhos da ascendência Arabe os terraços das casas Algarvias, as artes decorativas, os azulejos, os ferros forjados e os objectos de luxo;tapetes, trabalhos de couro e em metal. Com a tradução de inúmeras obras Científicas, desenvolveram-se a Química, a Medicina e a Matemática, sendo de origem Arabe o sistema de numeração Ocidental. A influência Arabe foi particularmente importante na vida Rural, sendo determinante o desenvolvimento de técnicas de regadio a partir de usos Peninsulares e Romanos. Através da introdução de novas plantas — o limoeiro, a laranjeira azeda, a amendoeira, provavelmente o arroz, e do desenvolvimento da cultura da oliveira, da alfarrobeira e da plantação de grandes pomares (são famosos os figos e uvas do Algarve e as maçãs de Sintra) reforçaram a vocação Agrícola da região Mediterrânea.
A ocupação Islâmica não provocou alterações na estrutura linguística que se manteve Latina, mas contribuiu com mais de 600 vocábulos, sobretudo substantivos referentes a vestuário, mobiliário, agricultura, instrumentos científicos e utensílios diversos.
As constantes lutas internas, além das cíclicas tentativas de fragmentação do estado Islâmico Peninsular, contribuíram para o avanço Cristão que, lentamente, foi empurrando os Muçulmanos para Sul. A luta entre Cristãos e Muçulmanos arrastou-se, com avanços e recuos, ao longo de seis séculos, sendo o Algarve acrescentado ao território Português em 1249, no Reinado de Afonso III.


Povos

Os numerosos descendentes dos Arabes que, após a Reconquista, permaneceram em Portugal, viviam nas Mourarias, arrabaldes semi-rurais junto dos muros das cidades e vilas, das quais se conserva a memória, nos nomes e nas plantas de mais de vinte localidades, como Lisboa e muitas outras ao sul do Tejo.
Portugal conseguiu irradicar os Arabes do seu território mais cedo do que os Espanhóis,mantendo parte do seu território debaixo da alçada Islâmica,apenas em 1492, com a conquista do reino de Granada,onde foi entregue as chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela,a Reconquista chegava ao fim.

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