quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sacrificios Humanos na Antiga Mesopotâmia?


Uma nova análise dos crânios do cemitério real de Ur, descoberto no Iraque há quase um século, parece sustentar sacrifícios humanos associados a enterros da Nobreza da antiga Mesopotâmia, afirmam os Arqueólogos.
Os Servos do Palácio,não tomavam veneno,como parte do ritual de enterro real,para morrer serenamente,mas sim,pelo que se verificou, um instrumento pontiagudo, talvez uma lança, furava as suas cabeças.
Arqueólogos da Universidade da Pensilvânia chegaram a esta conclusão após fazerem as primeiras tomografias de dois crânios do cemitério de 4,5 mil anos. O cemitério, com 16 Tumbas grandiosas e ricas em ouro e jóias, foi Descoberto na década de 1920,e foi uma sensação na Arqueologia do século 20,revelando o esplendor da Civilização Mesopotâmica.
A recuperação de cerca de dois mil corpos atestou a prática do Sacrifício Humano em larga escala. No momento do falecimento de um Rei ou Rainha, ou mesmo antes, membros da sua Corte – Criadas, Guerreiros e outros – também eram mortos. Seus corpos costumavam ser cuidadosamente arrumados, as mulheres com adornos na cabeça, os Guerreiros com armas ao seu lado.
C. Leonard Woolley, o Arqueólogo Inglês que dirigiu as escavações, uma colaboração do Museu Penn com o "British Museum", concluiu que os servos desciam até as Câmaras Mortuárias, bebiam veneno e se deitavam para morrer. A  sua hipótese gerou polemica.
Entre os muitos restos mortais, poucos crânios estavam preservados, os quais foram esmagados em fragmentos – não na morte, mas pelo peso da terra ao longo de séculos pressionando os crânios até que ficassem achatados,o que originou esforços,fracassados,anteriores de reconstituí-los.

Ao planejar uma nova exposição de artefactos de Ur, no "Museu Penn de Arqueologia e Antropologia", Richard L. Zettler, corador e especialista em Arqueologia Mesopotâmica, conta que os Pesquisadores fizeram tomografias dos ossos dos crânios de uma mulher e de um homem. Com isso, obtiveram imagens em três dimensões de cada fragmento e,apenas assim, determinaram onde as peças se encaixavam. Os Pesquisadores, liderados por Janet M. Monge, uma Antropóloga física do Museu, usaram técnicas forenses para chegar à causa provável de morte em ambos os casos.

Em ambos os crânios,havia dois furos redondos ,cada um com cerca de 2,5 cm de diâmetro. Porém, a prova mais contundente, afirmou Monge em entrevista, foram as rachaduras irradiando a partir dos furos,que teriam sido feitos numa pessoa viva,os buracos produziriam o padrão de fracturas ao longo das linhas de tensão. Os ossos mais quebradiços de uma pessoa há muito tempo morta se estilhaçariam como vidro, explicou ela. Monge supôs que os furos foram feitos por um instrumento penetrante e que a morte ;“pelo trauma da força da ponta era quase imediata”.

Extermínios ritualísticos associados à morte Real, segundo os Arqueólogos, eram praticados por muitas outras Culturas Antigas, o que levanta a questão; por que alguém, sabendo do seu provável Destino, escolheria uma vida como servo da Corte?

“Era quase um assassinato em massa e é algo difícil para nós entendermos”, disse Monge. “Mas na cultura aquelas eram posições de grande honra, e você vivia bem na Corte, portanto havia um equilíbrio. Além disso, a partida para o outro Mundo não era necessariamente algo que eles temiam.”

Zettler disse que a nova Pesquisa também resultou em evidências de que os corpos de algumas vítimas haviam sido aquecidos – assados, não queimados – e tratados com um componente de Mercúrio. Era um processo primitivo de Mumificação, não tão avançado quanto as técnicas contemporâneas no Egipto. 

“Isso era apenas para impedir que os corpos se decompusessem durante as extensas Cerimonias funerárias”, disse ele.

Zettler disse que o sítio Arqueológico da antiga Cidade-Estado de Ur, próxima à actual Nassíria no Iraque, havia sido poupada nos recentes conflitos que causaram danos e saques a outras Antigas escavações. Ur está protegida pelo perímetro de uma base aérea recentemente devolvida aos Iraquianos.

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