quinta-feira, 1 de agosto de 2013

3ª Parte da Vida Misteriosa de Colombo...

Colombo em Desgraça;

 A previsão de Colombo revelou-se verdadeira, mas não chegou a ajudá-lo. Encontrou a Colonia de Hispaniola agitada pelo descontentamento, pois lá não havia ouro suficiente para enriquecer a todos em um ano. Os Espanhóis queixavam-se de não poder comer a "comida dos índios", como o milho e a mandioca. Colombo tentou acalmar os rebeldes, doando-lhes terras e deixando-os escravizar os índios para trabalhar nelas, mas isto não satisfez a muitos. Um grande número de Colonos retornou à Espanha e passou a exigir indemnização e a cabeça do Almirante. O filho de Colombo, Diego, e o seu segundo filho, Fernando, cuja mãe era Beatriz Enriquez de Harana, eram Pajens na Corte. Sempre que apareciam nas ruas eram seguidos por um bando de rapazes que lhes gritava;

 "Lá vão os filhos do Almirante dos mosquitos, daquele que descobriu Terras de vaidade e ilusão, túmulo e ruína dos Cavalheiros de Espanha!"

Em 1500, o Rei Fernando e a Rainha Isabel enviaram Francisco de Bobadilla para restabelecer a ordem em São Domingos, a nova Capital de Hispaniola. Colombo e seus dois irmãos foram presos e enviados à Espanha para responder o julgamento. Lá chegando foram soltos por ordem do Rei e da Rainha. Mas Fernando e Isabel enviaram Ovando para ser Governador de Hispaniola. Ovando levou consigo uma esquadra de 30 Navios e 1.500 novos Colonos.

Quarta e Última Viagem;

 Como uma última oportunidade para recuperar o seu Prestígio, o Almirante pediu Navios para fazer uma nova viagem de Descobrimento. O Rei e a Rainha atenderam ao seu pedido, principalmente para verem-se livres dele. Em 9 de Maio de 1502, Colombo iniciou a sua quarta, última e mais aventurosa viagem à América. Comandava quatro Caravelas;" La Capitana", "Santiago de Palos", "La Gallega" e "Vizcaína".

O seu filho de 13 anos, Fernando, seguiu na sua companhia. O relato que Fernando fez da viagem, escrito muitos anos depois numa Biografia do seu pai, é o melhor que ficou dessa empresa de Colombo. Fernando tinha de sobra,companheiros de divertimento a bordo, pois o seu pai preferia rapazes vivos e fortes a velhos marujos que viviam resmungando e querendo voltar para casa. Pelo menos 1/3 da tripulação nessa viagem era formada por rapazes entre os 12 e 18 anos.

O propósito da viagem era descobrir uma passagem para o oceano Índico, entre Cuba e o Outro Mundo . Colombo acreditava que a América do Sul ficava a uma curta distância a Sudeste da China. Essa foi uma crença comum até 1522, quando o Navio de Magalhães retornou de uma viagem á volta do Mundo. A esquadra passou das Canárias à Martinica em 21 dias e depois rumou para São Domingos. Colombo percebeu os sinais da chegada de um Furacão nas Índias Ocidentais e enviou à terra firme um Capitão para prevenir Ovando. Esse, porém, riu-se de Colombo e enviou ao mar uma grande esquadra que foi colhida pelo Furacão, tendo 20 Navios naufragados com toda a sua tripulação. Com grande esforço, vários outros Navios conseguiram voltar a São Domingos. Mas somente um deles, justamente aquele que transportava todo o ouro que o agente de Colombo juntara em Hispaniola, alcançou a salvo a Espanha. No entanto os quatro Navios Comandados por Colombo escaparam ao Furacão com poucos danos. Os Navios tornaram a encontrar-se no porto de Azua, na costa Oeste de São Domingos.

De Azua passaram pela Jamaica rumo ao Sul de Cuba e pelas Caraíbas em direção às ilhas da Baía, perto da costa de Honduras. Era o dia 30 de Julho de 1502. Durante o resto do ano navegaram para Leste e para Sul, ao longo da costa da América Central, procurando pelo estreito que não havia. Tiveram de lutar contra os ventos contrários e o mau tempo ao longo da costa dos Mosquitos. Todos ficaram exaustos e completamente molhados. Colombo disse que aquela fora a mais longa e terrível Tempestade que já enfrentara.

Fernando escreveu a respeito da Tempestade, perto da costa do Panamá;

 "Devido ao calor e à humidade, nossos biscoitos ficaram tão bichados que, por Deus, eu vi muitos marinheiros esperando o dia escurecer para poder comê-los sem enxergar os vermes."

Chegando à baía do Almirante, na actual República do Panamá, Colombo descobriu que um outro Oceano ficava apenas a alguns dias de marcha através das montanhas. Porém não encontrou um estreito que desse acesso àquele Oceano. Passou o Ano Novo de 1503 ancorado perto do local onde está situada a Zona do Canal. Mas os Exploradores jamais chegaram a saber quão perto se achava o Oceano Pacífico.

Os índios da Costa Rica e do Panamá eram os mais civilizados que os Europeus tinham até então encontrado. Colombo trocou roupas, contas e várias pequenas mercadorias por uma valiosa carga de cobre e objectos de ouro como máscaras, grandes discos e enfeites em forma de pássaros. Depois de passar por Porto Belo sem encontrar o estreito que procurava, seguiu novamente para oeste e tentou fundar uma Colonia na província de Veragua, onde havia ouro em abundância e fácil de ser extraído.

Os índios locais, os Guaimi, queriam fazer trocas, mas não desejavam ter os Espanhóis como hóspedes permanentes. De início o Chefe local, El Quibián, mostrou-se amistoso, mas logo passou a hostilizar os estrangeiros. Bartolomeu, Colombo e Diego Mendez tomaram El Quibián como refém. O Chefe índio lançou-se ao mar e fugiu. Depois comandou os seus Guerreiros num ataque à aldeia que os Espanhóis estavam construindo ao lado do rio Belén. Os índios conseguiram matar vários Espanhóis, inclusive o capitão Diego Tristán, da Nau "Capitana" , antes de serem repelidos. Colombo não podia deixar os outros Colonos entregues a uma morte certa e, portanto, levou-os todos para bordo e partiu rumo à Espanha em 16 de Abril de 1503.

Colombo teve de navegar lentamente ao longo da costa, avançando para Leste tanto quanto possível, pois seus Navios estavam fazendo muita água devido aos buracos abertos na madeira . Abandonando dois Navios que estavam em piores condições, encurtou caminho através do mar das Caraíbas. Em 25 de Junho, as Naus "Capitana" e "Santiago", fazendo água, aportaram na baía de Santana, no Litoral Norte da grande ilha da Jamaica.

Colombo aí permaneceu durante um ano. Enviou o capitão Diego Mendez à Hispaniola numa Canoa indígena para buscar auxílio. Mendez chegou a Hispaniola, mas o Governador Ovando impediu-o de conseguir um Navio, temendo que Colombo pudesse tomar-lhe o cargo. Enquanto isso, o Almirante teve de sufocar um motim de seus homens. Para conseguir obter alimento dos índios, serviu-se do truque do eclipse. Soubera através de seu Calendário que no dia 29 de Fevereiro de 1504 haveria um eclipse total da Lua. Colombo disse aos índios que Deus iria puni-los com a escuridão, caso não fornecessem mandioca, milho e peixe em abundância aos Espanhóis. Os índios não fizeram muita fé naquela história, mas antes que o eclipse se completasse;

 "Com muitos gritos e lamentos acorreram aos navios, de todas as direções, carregados de provisões e implorando ao Almirante que intercedesse por eles junto a Deus".

Colombo prometeu fazer o possível e depois desse facto os Espanhóis conseguiram obter comida em abundância em troca de contas de vidro, anéis e outros objectos.

Finalmente, em 29 de Junho de 1504, Colombo e mais 100 sobreviventes, de um total de 135 que haviam deixado a Espanha, partiram da Jamaica numa pequena Caravela fretada por Mendez. A última viagem do almirante terminou em San Lúcar, na Espanha, em 7 de Novembro de 1504.
Os Últimos Dias do Almirante;

Antes que fosse permitido a Colombo dirigir-se à Corte para relatar suas aventuras, a Rainha Isabel morreu e o rei Fernando não estava disposto a fazer nada por ele. O Almirante, com 53 anos de idade e a saúde abalada, sofrera de artrite durante as duas últimas viagens e agora mal podia se mexer. Tinha dinheiro suficiente para viver, mas desejava o cargo de Governador e a parte que lhe cabia das trocas feitas na América. Os poucos e últimos meses de sua vida os passou na cama ou então fazendo penosas viagens de mula para estar perto do Rei na esperança de que esse se tornasse menos severo. Em 20 de Maio de 1506, numa modesta morada em Valladolid, morreu o Slmirante do mar . Com ele, no fim, estiveram os seus dois filhos, o capitão Mendez e uns poucos e fiéis servos. Colombo foi enterrado em Valladolid. Seu neto levou seus restos mortais para São Domingos.

Considerações Sobre Colombo;

Colombo foi descrito em 1501 como "um homem alto e bem desenvolvido, corado, rosto comprido e dotado de um grande talento criativo". O seu filho Fernando acrescentou ainda;"Tinha um nariz aquilino e seus olhos eram claros; sua cor também era clara, porém avivada por um tom avermelhado. Quando moço, seu cabelo era louro, mas ao chegar aos trinta anos todo ele embranqueceu." Colombo vestia-se simplesmente e era moderado no comer e no beber.As uas maneiras eram joviais, porém dignas.

Colombo alimentava uma crença mística de que Deus queria que ele fizesse grandes Descobertas a fim de difundir o Cristianismo. Dizia as suas Orações várias vezes ao Dia e sempre que possível assistia à Missa. Embora Colombo tenha sempre parecido ávido de dinheiro e Títulos, assim agia para salvar seus Descendentes da pobreza que enfrentara quando moço. Como Navegador, foi um dos maiores da História. Qualquer um poderia ter chegado à América Navegando durante muito tempo em direção Oeste, mas poucos homens, com os meios de que Colombo dispunha, seriam capazes de encontrar o caminho de volta para a Espanha ou chegar à ilha desejada nas viagens seguintes. Colombo era dotado de grande coragem, tanto física como moral. Várias vezes enfrentou Marinheiros amotinados, rebeldes armados, índios e terríveis Tempestades sem vacilar. Sua tenacidade era tão grande a ponto de ser considerada um defeito. Homem de uma só ideia, e de uma ideia radical. Colombo era considerado intransigente pela maioria das pessoas e odiado por muitos. Além disso, tinha o hábito de repetir "eu bem que disse" a respeito do sucesso de sua primeira viagem, o que tornava algumas pessoas desejosas de passá-lo para trás.

A viagem à América feita por Colombo proporcionou um contacto permanente entre a Europa e a América, e abriu novos horizontes para a Ciência e o Conhecimento em Geral. São poucos os Homens, na História Contemporânea, a quem o Mundo deve tanto como a Cristóvão Colombo.

Continua...

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