segunda-feira, 9 de abril de 2018

O Centenário da Batalha de La Lys

Ontem assinalaram-se os 100 anos desde a Batalha de La Lys,de uma madrugada de 9 de Abril de 1918  violenta, onde as Tropas Portuguesas foram sacrificadas por uma força Alemã muito superior. A batalha de La Lys deu-se no vale da ribeira de La Lys, na região da Flandres Francesa e ficou marcada pela perda de milhares de homens mortos, feridos e prisioneiros.
Os alemães chamaram-lhe operação Georgete e o objectivo era romper as linhas Aliadas, separar as forças Britânicas das Francesas e forçar uma mudança estratégica na frente ocidental.
Na madrugada de 9 de Abril de 1918, oito divisões Alemãs, com cerca de 100 mil homens e mais de mil peças de artilharia, avançaram sobre os 11 km onde estavam as forças Portuguesas, constituídas por duas divisões e cerca de 20 mil homens.
As forças Portuguesas foram trucidadas, mas resistiram tempo suficiente para permitir aos Aliados reforçar a e suster a ofensiva.
As Tropas Portugueses foram carne para canhão,atirados para a frente da Batalha e abandonados pelo Exército Britânico(coisa muito normal para eles que sempre enviaram outras tropas,de outros Países,em  circunstâncias muito dificeis,por exemplo,como aconteceu na 2ª Guerra Mundial,com os Australianos em Gallipoli...não é preciso dizer mais!!)E por isso,as versões Britânica e Portuguesa sobre a Batalha de La Lys,não coincidem, com os Comandantes de ambos os lados “a trocarem culpas".
Os Britânicos acusam os Soldados Portugueses de Desertores e que fogiram e que contaram tudo aos Alemães para receberem um jantar ou serem bem tratados. Regra geral, os Britânicos “culpam os portugueses pelas dificuldades encontradas durante a batalha".Hum???Tão Típico dos Oficiais Britânicos pôrem as culpas nos outros pela sua Arrogância e muitas das vezes,das suas péssimas tácticas de Guerra...e ainda por cima desculpas esfarrapadas....Um jantar(ou serem bem tratados??)é bem conhecido que enquanto outros lutam e dão o sangue por eles e pela Batalha,eles estão bem atrás da frente a tomarem um cházinho,como foi no caso de Gallipoli,em que eles estavam a tomar um cházinho na praia debaixo das Tendas,para não apanharem sol...
Ridiculo,não têm moral para colocarem culpas em ninguém,já que os Portugueses em França foram aprendendo a fazer a guerra das trincheiras, equipados e treinados pelos Britânicos.Aliás tanto os Portugueses,como Franceses ou outros Países Aliados estiveram sempre debaixo da alçada Britânica(tanto na 1ª Guerra Mundial ,como na 2ª),os outros limitavam-se a receber ordens e a perderam as suas vidas.
A Batalha é descrita por Gomes da Costa (que comandou na linha da frente) como um acto de Resistência das suas tropas. No seu relatório sobre a batalha, citado pelo historiador Filipe Ribeiro de Meneses na obra “De Lisboa a La Lys”, Gomes da Costa lembra que a divisão que estava na linha da frente (a 2.ª divisão) havia recebido a ordem para abandonar as trincheiras de 9 para 10 de Abril.Tinham passado a noite de 8 para 9 de Abril a encaixotar armas, munições, papéis, mapas, tudo.
O General Português escreve que a divisão Nacional resistiu oito horas,o bombardeamento inicial começa por volta das 04.00/04.15 da manhã, com explosivos e gases venenosos. O assalto principal alemão dá-se por volta das 09.00.
Para além do gás venenoso havia nevoeiro e falta de ordens. As linhas telefónicas tinham sido cortadas, era impossível contactar fosse com quem fosse.
Tanto os Portugueses como os Britânicos e os Franceses são pura e simplesmente surpreendidos pela maneira muito mais flexível como o exército Alemão ataca. Os Alemães já não esperam para começar a infiltrar tropas nas trincheiras,escolhem precisamente os pontos da linha da frente em que as unidades convergem.
Os Alemães tinham controlado todos os pontos altos, e por isso tinham uma visão ampla sobre o que se passava em geral dentro das linhas Aliadas.
De qualquer modo, também acontece que as divisões que ladeiam o CEP têm destinos diferentes. A Sul, a 55ª divisão Britânica aguenta. Fica praticamente no sítio onde estava antes da Batalha. A Norte, a 40ª divisão sofre muito, em termos de mortos e prisioneiros,como o CEP, é obrigada a recuar,combatendo.
 Alguns Soldados Portugueses foram transferidos para outra unidade, que teve de ser criada para que as divisões Portuguesas ficassem semelhantes às Britânicas. Eram os "Pioneiros", que tinham a seu cargo a reparação e a defesa de trincheiras, e por aí adiante.O Quartel-General ficava em La Couture, que estava um bocadinho atrás das linhas da frente e torna-se de certa forma o lugar mítico da resistência Portuguesa,diz-se,embora não haja certezas,que lutaram corpo a corpo e com Baionetas,já que os Alemães depressa tinha invadido esse local.
É preciso lembrar que os Britânicos cortam a ligação Marítima entre Lisboa e o CEP no Outono de 1917, ainda antes de Sidónio Pais e, portanto, a partir desse momento deixa de ser possível enviar reforços e era preciso enviar reforço porque havia feridos, havia doentes. E é precisamente nessa altura que as duas divisões Portuguesas assumem o seu lugar na linha da frente,por isso, estando todos os Portugueses na linha da frente, o número de baixas  naturalmente aumentou. Os Britânicos deixam de ter navios seus à disposição do Exército Português...por isso, o enfraquecimento, a queda de moral,o desespero, a sensação de abandono que os Portugueses sentem.
A revolução de Dezembro de 1917, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Dr. Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático.
A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos Oficiais com experiência de Guerra ou por razões de perseguição política ou de favor político.
Claro que esses que regressaram não voltaram.
É  difícil falar da Batalha de La Lys sem nomear o Soldado Milhões, o herói Português que com grande valentia, aguentou o terrível bombardeamento alemão, protegendo o recuo de vários Soldados Portugueses, e Escoceses,para as posições defensivas da retaguarda, com uma metralhadora "Lewis".
De seu verdadeiro nome Aníbal Augusto Milhais, natural de Valongo, em Murça, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua menina, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os combatentes Lusos como a Luísa. Munido da coragem que só no campo de batalha é possível, enfrentou sozinho as colunas Alemãs que se atravessaram no seu caminho.
Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos Alemães, o Soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de Cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da Batalha, encontrou um Major Escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do Soldado Transmontano.
Em Agosto de 1918 foi condecorado com a Ordem da Torre e Espada e o seu Apelido passou, de Milhais, a Milhões.
Os Portugueses perderam praticamente metade das suas forças, e ficaram reduzidas a pouco mais de uma divisão tendo registado cerca de 1300 mortos, 4600 feridos, 2000 desaparecidos e mais de sete mil prisioneiros.

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