Os Hospitalários Portugueses- A Historia Visível e a Oculta

A Ordem dos Hospitalários — mais tarde chamada Ordem de Malta — chegou muito cedo ao território português, ainda antes de existir oficialmente o Reino de Portugal. 

A sua presença moldou castelos, aldeias, rotas de peregrinação e até a política nacional. 

Mas, para além da história oficial, existe uma camada mais discreta, quase subterrânea, que raramente é contada.

Vamos às duas.


🌿1. As raízes: antes de Portugal ser Portugal🌿


A Ordem instalou-se no território durante o governo de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques.  

Entre 1122 e 1128, os Hospitalários receberam o Mosteiro de Leça do Balio, que se tornou a sua primeira grande casa em Portugal.

Leça não era apenas um mosteiro: era um centro de acolhimento, um ponto militar estratégico e um símbolo de prestígio internacional.


🏰2. Castelos e territórios: Belver, Crato e muito mais🏰


A Ordem cresceu rapidamente graças ao apoio dos primeiros reis.


Castelo de Belver (1194) 

D. Sancho I ofereceu aos Hospitalários terras junto ao Tejo para construírem uma fortaleza.  

Assim nasceu Belver, um castelo circular inspirado nas fortalezas da Terra Santa — único no país.


O Crato (1232) 

D. Sancho II concedeu aos freires vastas terras no Alentejo.  

O local passou a chamar-se Crato, e ali nasceu a casa mais importante da Ordem em Portugal.

O líder português passou a ser conhecido como Prior do Crato, título que se tornaria politicamente decisivo.



👑 3. A Ordem e o poder: aliados, rivais e reis desconfiados👑 


Os Hospitalários eram ricos, tinham terras, castelos, rendas e influência internacional.  

Isso despertou receios na monarquia.


- D. João III colocou o priorado nas mãos de um infante para controlar a Ordem.  

- D. Maria I negociou diretamente com o Papa para limitar a influência de Malta sobre Portugal.  

- Alguns priores do Crato tornaram-se figuras centrais da política nacional.


O mais célebre foi D. António, Prior do Crato, que disputou o trono em 1580.



🕯️ 4. A vida interna: disciplina, rituais e segredos🕯️


A Ordem tinha regras rígidas, mas também práticas discretas:


- cerimónias de admissão feitas à noite  

- juramentos diante de relíquias  

- arquivos guardados em salas secretas  

- túneis subterrâneos em casas como o Crato  

- códigos internos para resolver conflitos  


Os cavaleiros viviam entre a devoção e a disciplina militar.



🌸 5. As mulheres hospitalárias — presença silenciosa, mas essencial🌸 


Embora a Ordem fosse masculina, as mulheres tiveram um papel importante.


As fratisas

Antes de existirem conventos femininos, havia mulheres devotas ligadas à Ordem que:


- usavam hábito  

- cuidavam de doentes  

- administravam propriedades  

- mantinham redes de caridade  


O primeiro convento feminino (1519)

Fundado por Isabel Fernandes em Évora e depois transferido para Estremoz pelo infante D. Luís.

Estas mulheres foram fundamentais, mas quase apagadas da história oficial.



⚔️6. Os Hospitalários como força militar em Portugal⚔️


Além da assistência hospitalar, os cavaleiros:


- participaram em campanhas da Reconquista  

- defenderam fronteiras  

- apoiaram reis em conflitos internos  

- mantiveram tropas e cavaleiros armados  


Em certas regiões, eram mais temidos do que os próprios alcaides.



🗝️ 7. A Ordem como rede diplomática secreta🗝️


Graças à sua presença internacional, os Hospitalários serviram como:


- mensageiros entre reinos  

- intermediários em negociações  

- fonte de informação sobre movimentos estrangeiros  


Os priores do Crato tinham contactos diretos com Roma, Malta, França, Espanha e o Sacro Império.



🔥 8. A extinção de 1834 — e o que se perdeu🔥


Com a extinção das ordens religiosas:


- os bens passaram para o Estado  

- muitos arquivos desapareceram  

- conventos foram abandonados  

- tradições locais foram interrompidas  


Mas a memória hospitalária ficou gravada em igrejas, brasões, lendas e topónimos.



🕊️ 9. A Ordem hoje em Portugal🕊️


A Ordem de Malta continua ativa em Portugal, agora como organização humanitária:


- apoio a idosos  

- equipas de emergência  

- missões de rua  

- voluntariado  

- projetos de saúde e inclusão  


É uma continuação moderna da antiga vocação hospitalária.

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