Lugares Místicos


Ollantaytambo 

Ollantaytambo é uma localidade e um importante sítio arqueológico inca situado no sul do Peru, cerca de 60 km a noroeste de Cusco. 
Encontra‑se a 2.792 metros de altitude, no distrito de Ollantaytambo, província de Urubamba, na região de Cusco.  
Durante o Império Inca, este lugar foi a propriedade real do imperador Pachacuti, que conquistou a zona, fundou a cidade e ergueu um centro cerimonial.  
Na época da conquista espanhola, Ollantaytambo tornou‑se o refúgio fortificado de Manco Inca Yupanqui, líder da resistência inca.  
Hoje, é um dos destinos turísticos mais visitados do Peru, tanto pelas suas construções incas como por ser um dos pontos de partida mais comuns para a famosa caminhada de três dias e quatro noites conhecida como Trilha Inca.

Lugar Místico 

No extremo norte do Vale Sagrado, Ollantaytambo destaca‑se como um lugar raro — talvez único — no Peru.  
É uma enorme cidadela situada a cerca de 50 km de Machu Picchu, que funcionou simultaneamente como templo e fortaleza.  
Por razões desconhecidas, e em data incerta, a construção deste vasto complexo foi interrompida de forma misteriosa.

As encostas mostram terraços agrícolas incas e, ao lado, paredes megalíticas que antecedem o período inca.  
A chamada Parede dos Seis Monólitos é um dos exemplos mais impressionantes de engenharia em pedra da região.  
As plataformas de Pumatallis, talhadas na montanha, revelam a escala monumental do projeto.

As pedreiras principais ficavam em Kachiqhata, numa ravina do outro lado do rio Urubamba, a cerca de 5 km da cidade.  
Ali existiam três zonas de extração — Mullup’urku, Kantirayoq e Sirkusirkuyoq — de onde se retiravam blocos de riolito rosado usados nas construções cerimoniais.  
Um complexo sistema de caminhos, rampas e deslizadores ligava as pedreiras ao local das obras.

Tecnologia da Pedra

O Templo do Sol foi construído com enormes blocos de pórfiro vermelho (granito rosado).  
A pedreira de Kachiqhata, situada a cerca de 4 km do local, fornecia estas pedras gigantescas.  
Os blocos eram parcialmente talhados na pedreira e depois descidos até ao vale.  
Para atravessar o rio, os Quechuas criaram um canal artificial paralelo ao leito natural, permitindo desviar a água conforme necessário: enquanto um canal ficava seco, o outro conduzia o fluxo, facilitando a passagem das pedras.

A subida até ao templo era feita por uma rampa inclinada, ainda visível desde o fundo do vale.  
Os trabalhadores utilizavam troncos como rolos, pedras arredondadas como rodas, cordas feitas de couro de camelídeos andinos, alavancas, polias e a força de centenas — ou milhares — de homens.  
Ao longo do caminho entre a pedreira e o templo encontram‑se ainda hoje enormes blocos abandonados, conhecidos como “pedras cansadas”, que muitos acreditam nunca ter conseguido chegar ao destino.  
Por isso, alguns autores defendem que o Templo do Sol ficou inacabado quando os espanhóis chegaram.

Os blocos multi‑faceteados encaixam‑se com precisão absoluta, formando padrões interligados capazes de resistir a terramotos devastadores.  
Cientistas sugerem que os pedreiros moldavam cada pedra por tentativa e erro: ajustavam um bloco, suspendiam o seguinte em andaimes, marcavam os contornos com fios e prumos, e depois esculpiam até obter o encaixe perfeito.  
Esta teoria é especulativa, mas demonstra que o processo exigia tempo, paciência e mão‑de‑obra abundante — algo que os Incas possuíam.

Alguns autores antigos consideravam impossível que rochas tão duras fossem trabalhadas apenas com ferramentas de pedra ou bronze.  
Outros investigadores, como Jean‑Pierre Protzen, demonstraram que rochas de rio podiam ser usadas como martelos eficazes para moldar blocos maiores.

Há também teorias alternativas, como a de Joseph Davidovits, que propõe que certas pedras poderiam ter sido “amolecidas” com extratos vegetais ácidos, facilitando o corte e o polimento — uma hipótese controversa, mas intrigante.

Aramu Muru

Outro monumento megalítico semelhante encontra‑se perto do Lago Titicaca: Aramu Muru.  
O lago, situado entre o Peru e a Bolívia, é considerado pelos mitos incas como o local onde o deus Viracocha criou a vida na Terra.  
No centro do lago fica a Ilha do Sol, com um antigo templo sagrado.  
Perto dali encontra‑se Sillustani, onde se erguem as misteriosas chulpas, torres funerárias que guardavam restos mortais da nobreza inca.

A poucos quilómetros, no chamado Vale dos Espíritos, encontra‑se o Portal de Aramu Muru — uma abertura talhada na rocha que se assemelha a uma porta.  
Os habitantes locais evitam aproximar‑se, contando histórias de pessoas que teriam desaparecido ao tocar na pedra.

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