As Mulheres da Ordem de Malta
Embora a Ordem de Malta seja tradicionalmente vista como uma instituição masculina — cavaleiros, priores, grão-mestres — as mulheres sempre estiveram presentes, mas de forma discreta, indireta ou mesmo invisível nos registos oficiais.
Em Portugal, essa presença é ainda mais interessante.
🌙 1. As “fratisas”: as mulheres esquecidas da Ordem🌙
Antes de existirem conventos femininos, havia mulheres associadas à Ordem chamadas; fratisas.
Elas:
- usavam hábito semelhante ao dos freires
- viviam em casas próprias, não em conventos
- seguiam regras de devoção e serviço
- cuidavam de doentes e peregrinos
- administravam pequenas propriedades da Ordem
- eram respeitadas localmente, mas ignoradas nos registos oficiais
As fratisas eram, na prática, a ala feminina não reconhecida da Ordem.
A sua existência é mencionada apenas em documentos dispersos, quase sempre de forma lateral.
🕊️ 2. O primeiro convento feminino só surgiu muito tarde🕊️
Em Portugal, o primeiro convento feminino da Ordem de Malta foi fundado em 1519, em Évora, por Isabel Fernandes, uma mulher de grande devoção e influência local.
Este convento:
- seguia a regra hospitalária
- acolhia mulheres nobres e devotas
- funcionava como espaço de assistência e oração
Mais tarde, o infante D. Luís, então Prior do Crato, transferiu o convento para Estremoz, onde ganhou maior importância.
👑3. Mulheres nobres financiavam e protegiam a Ordem👑
Mesmo sem poderem ser cavaleiras, muitas mulheres da nobreza portuguesa:
- doavam terras
- financiavam obras
- protegiam juridicamente a Ordem
- serviam como intermediárias entre cavaleiros e famílias poderosas
Algumas eram tão influentes que os priores do Crato consultavam-nas antes de tomar decisões.
Estas mulheres eram mecenas silenciosas, essenciais para a sobrevivência da Ordem.
🕯️4. As mulheres tinham funções espirituais e sociais próprias🕯️
As mulheres ligadas à Ordem — fratisas, religiosas ou benfeitoras — desempenhavam funções que iam além da devoção:
- cuidavam de doentes pobres
- acolhiam peregrinos
- distribuíam esmolas
- organizavam redes de caridade
- guardavam relíquias e objetos sagrados
- ensinavam leitura e bordado a meninas pobres
Eram, de certa forma, as primeiras assistentes sociais da Ordem.
🗝️ 5. Algumas mulheres tinham acesso a segredos e documentos🗝️
Em casas como Leça do Balio ou o Crato, havia mulheres que:
- copiavam documentos
- guardavam chaves de salas e arquivos
- conheciam rotinas internas
- serviam como confidentes de cavaleiros
A sua presença era discreta, mas estratégica.
🌾6. As mulheres da Ordem eram mediadoras entre o povo e os cavaleiros🌾
Enquanto os cavaleiros lidavam com política, guerra e administração, as mulheres:
- ouviam queixas do povo
- transmitiam pedidos aos priores
- organizavam festas religiosas
- mantinham a ligação emocional entre a Ordem e as comunidades
Sem elas, a Ordem teria sido vista como distante e aristocrática.
🔥7. A extinção de 1834 apagou quase toda a memória feminina🔥
Quando as ordens religiosas foram extintas em Portugal:
- conventos femininos foram encerrados
- arquivos desapareceram
- nomes de fratisas perderam-se
- tradições femininas foram absorvidas por outras instituições
O papel das mulheres ficou reduzido a notas de rodapé.
🌸8. Hoje, as mulheres têm um papel central na Ordem moderna🌸
Na Ordem de Malta contemporânea, as mulheres:
- são voluntárias
- dirigem missões humanitárias
- coordenam equipas de emergência
- lideram projetos sociais
- ocupam cargos administrativos
A Ordem moderna é, em grande parte, sustentada por mulheres — algo que ecoa o papel silencioso que sempre tiveram.


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