Os Hospitalários em Portugal
A Ordem de Malta em Portugal — o que quase ninguém sabe
🌿1. A Ordem chegou a Portugal antes de existir Portugal🌿
Embora a documentação seja fragmentada, muitos historiadores acreditam que os Hospitalários já estavam ativos no território antes da fundação do reino, durante o governo de D. Teresa.
Ou seja, a Ordem instalou-se aqui antes de D. Afonso Henriques ser rei.
O mosteiro de Leça do Balio, perto do Porto, foi a sua primeira grande casa — e tornou-se um dos centros mais influentes da Ordem na Península.
🏰 2. O Castelo de Belver foi o primeiro castelo português construído de raiz pela Ordem🏰
Em 1194, D. Sancho I ofereceu aos cavaleiros terras junto ao Tejo para erguerem uma fortaleza.
O resultado foi o Castelo de Belver, uma das mais belas fortalezas circulares de Portugal.
Pouca gente sabe que:
- foi desenhado segundo modelos militares da Terra Santa
- serviu como ponto estratégico contra incursões muçulmanas
- era também um local de acolhimento de peregrinos
Belver é, até hoje, um dos castelos mais “hospitalários” do país.
🌾 3. O Crato tornou-se o coração da Ordem em Portugal🌾
Quando D. Sancho II lhes concedeu as terras do Crato, os Hospitalários criaram ali uma casa que se tornaria o centro português da Ordem.
O título do líder português passou a ser Prior do Crato, e este cargo ganhou enorme influência política.
Alguns priores do Crato tornaram-se figuras centrais da história nacional — incluindo D. António, Prior do Crato, pretendente ao trono durante a crise de 1580.
👑 4. A Ordem acumulou poder ao ponto de preocupar os reis👑
Os Hospitalários eram ricos, tinham terras, castelos, rendas e influência internacional.
Os reis portugueses, receosos, começaram a vigiar de perto o crescimento da Ordem.
D. João III, por exemplo, colocou o priorado nas mãos de um infante da família real para controlar melhor a instituição.
A Ordem era poderosa… mas também politicamente sensível.
👒5. As mulheres da Ordem — uma história quase apagada👒
Embora não existissem conventos femininos nos primeiros séculos, havia mulheres associadas à Ordem chamadas fratisas:
- usavam hábito
- viviam em casas próprias
- seguiam regras de devoção
- ajudavam em obras de caridade
O primeiro convento feminino oficial só surgiu em 1519, em Évora, fundado por Isabel Fernandes.
Mais tarde, foi transferido para Estremoz pelo infante D. Luís.
É uma parte da história da Ordem que raramente é mencionada.
📜 6. A Ordem tinha privilégios jurídicos únicos📜
Em 1778, um alvará confirmou que:
- os cavaleiros podiam herdar bens por testamento
- esses bens revertiam para a Ordem após a morte
- estavam isentos de certas jurisdições civis
Era quase como se fossem um “Estado dentro do Estado”.
⚔️ 7. A Ordem participou em batalhas portuguesas⚔️
Embora mais conhecida pela ação no Mediterrâneo, a Ordem também participou em conflitos internos e externos em Portugal:
- ajudou na defesa contra ataques muçulmanos
- apoiou campanhas de reconquista
- forneceu cavaleiros e recursos militares
O Crato, por exemplo, foi palco de confrontos durante a crise de 1383–1385.
🕯️8. A extinção em 1834 não apagou tudo🕯️
Quando as ordens religiosas foram extintas em Portugal, os bens dos Hospitalários passaram para o Estado.
Mas:
- muitos arquivos foram preservados
- tradições locais sobreviveram
- algumas igrejas mantiveram símbolos da Ordem
- famílias nobres continuaram a usar a cruz de Malta nos brasões
A Ordem desapareceu oficialmente, mas deixou marcas profundas.
🗝️ 9. Há lendas ligadas à Ordem — e quase ninguém as conhece🗝️
Em várias regiões onde a Ordem tinha casas, surgiram lendas populares:
- túneis secretos entre Leça do Balio e o mar
- tesouros escondidos no Crato
- cavaleiros que apareciam à noite para proteger viajantes
- relíquias trazidas da Terra Santa
Estas histórias misturam fé, imaginação e memória coletiva.
🕊️ 10. A Ordem ainda existe em Portugal — mas de forma moderna🕊️
Hoje, a Ordem de Malta está ativa em Portugal como organização humanitária, com:
- voluntários
- equipas de emergência
- apoio a idosos e sem-abrigo
- missões de saúde
É uma continuação simbólica da antiga vocação hospitalária.


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