As Relíquias das Mulheres da Ordem dos Hospitalários
As relíquias ligadas às mulheres da Ordem dos Hospitalários em Portugal, é como abrir uma gaveta antiga onde ficaram guardados fragmentos de fé, devoção e silêncio feminino — porque estas mulheres existiram, atuaram e deixaram marcas, mesmo que a história oficial quase as tenha apagado.
Vamos iluminar essas sombras.
🌸1. As relíquias guardadas pelas fratisas — as “irmãs invisíveis” da Ordem🌸
Antes de existirem conventos femininos, havia mulheres associadas à Ordem chamadas fratisas.
Elas viviam em casas próprias, usavam hábito e dedicavam-se à caridade.
E, discretamente, eram também guardadoras de relíquias.
As fratisas tinham a responsabilidade de proteger:
- pequenos relicários de madeira ou prata
- fragmentos de ossos de santos ligados à cura
- pedaços de tecido atribuídos a santas
- medalhões com inscrições hospitalárias
Estas relíquias eram usadas em:
- bênçãos de doentes
- rituais de proteção
- peregrinações locais
- cerimónias discretas de devoção feminina
Muitas destas peças desapareceram quando as fratisas morreram sem deixar inventários.
🕊️ 2. A relíquia de Santa Maria Madalena — ligada a Leça do Balio🕊️
Há registos antigos que mencionam que, em Leça do Balio, existia:
- um véu atribuído a Santa Maria Madalena,
- guardado por mulheres devotas ligadas à Ordem.
Este véu era usado em rituais de proteção para mulheres grávidas e viajantes.
Desapareceu durante as guerras do século XIV ou XV.
A tradição oral diz que foi escondido por uma mulher da Ordem para evitar que fosse saqueado.
🕯️3. As relíquias femininas do convento de Évora (1519)🕯️
Quando Isabel Fernandes fundou o primeiro convento feminino hospitalário em Évora, trouxe consigo:
- uma pequena caixa com cabelos atribuídos a Santa Úrsula
- um fragmento de tecido de Santa Catarina de Alexandria
- um relicário com pó de ossos de mártires femininas
Estas relíquias eram usadas em:
- bênçãos de jovens mulheres
- rituais de proteção contra doenças femininas
- cerimónias de entrada no convento
Quando o convento foi transferido para Estremoz, parte destas relíquias foi levada…
outra parte perdeu-se no caminho.
👑4. As relíquias oferecidas por mulheres nobres👑
Muitas mulheres da nobreza portuguesa, ligadas à Ordem por devoção ou parentesco, doaram relíquias femininas:
- fragmentos de ossos de santas
- pedaços de vestes litúrgicas
- pequenas cruzes com pedras vindas do Oriente
Estas relíquias eram guardadas em cofres privados dentro das casas hospitalárias.
Quando a Ordem foi extinta em 1834, muitas foram levadas por famílias nobres e nunca mais reapareceram.
🗝️ 5. A relíquia perdida da “Santa do Crato”🗝️
Há uma lenda persistente no Crato sobre uma relíquia feminina:
- um pequeno relicário dourado
- contendo um fragmento de osso de uma santa mártir
- guardado por mulheres da Ordem durante séculos
Segundo a tradição, esta relíquia era usada para:
- proteger mulheres em trabalho de parto
- abençoar órfãs
- curar febres
Quando as ordens foram extintas, a relíquia desapareceu.
Alguns dizem que foi escondida nos túneis do Crato.
Outros acreditam que foi levada para Espanha por uma família ligada à Ordem.
Nunca foi encontrada.
🌙 6. As relíquias usadas em rituais femininos de cura🌙
As mulheres da Ordem — fratisas, religiosas e devotas — usavam relíquias em práticas de cura que misturavam:
- medicina medieval
- devoção cristã
- tradições populares
Relíquias femininas eram especialmente usadas para:
- doenças do parto
- febres infantis
- dores crónicas
- proteção contra “males do espírito”
Estas práticas eram discretas, quase clandestinas, e raramente registadas.
🧩 7. O desaparecimento silencioso🧩
As relíquias femininas desapareceram por várias razões:
- guerras
- incêndios
- extinção das ordens religiosas
- pilhagens
- dispersão por famílias nobres
- destruição de arquivos
O que resta hoje são apenas:
- rumores
- inventários incompletos
- memórias locais
- lendas persistentes
Mas estas sombras contam uma história:
As mulheres da Ordem existiram, atuaram e deixaram marcas — mesmo que a história oficial não as tenha guardado.


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